sábado, 29 de dezembro de 2007

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Amizades

Nada melhor do que um encontro com grandes amigos: Adriano Paixão, Rafa e Eu em João Pessoa (Giramundo, Praia de Tambaú – 28/12/2007).



quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Aborto e crime

Lambram da entrevista do Samuel Pessoa sobre crime e aborto? Pois bem, acredito que este seja o artigo que gerou tais conclusões. Ele foi apresentado na ANPEC, porém, pelo que li (leitura rápida), não vi elos tão fortes entre aborto e crime. Me pareceu mais estratégia de marketing do Samuel.

Novidades na econometria

Os professores Guido Imbens (Harvard University and NBER) e
Jeffrey Wooldridge (Michigan State University), apresentam algumas novidades econométricas. Escolham o tema e bons estudos (Eu já escolhi os meus: Nonlinear Panel Data Models, Bayesian Inference e Quantile Methods). Tudo está disponível na página do NBER.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Frases

Recentemente o Laurini citou o Henry Theil:

"It does take maturity to realize that models are to be used but not to be believed."

Uma frase pra lá de feliz. Aproveitando a ocasião, cito Isaac Asimov, referindo-se a infantilidade da pseudociência:

“Vasculhe cada exemplar da pseudociência e você encontrará um cobertorzinho de estimação, um dedo para chupar, uma saia para segurar.”

Eu consigo fazer vários paralelos com algumas abordagens econômicas. E vocês?

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A festa

É impressionante, as pessoas acham que a cultura popular é sempre maravilhosa. No caso do Nordeste, basta vestir uma roupa colorida, carregar no sotaque, botar o som de uma sanfona e pronto, está feito o espetáculo. Sem esquecer, é claro, de um bom subsidio governamental para incentivar a cultura regional, pois ela não pode morrer. Tive uma prova disso no “espetáculo de Natal” em Natal (entenderam, não é?). Nunca vi tanta gente em cima de um palco, falando baboseira e requebrando-se como loucos. Eu pensava: quanto cada um deve estar levando para fazer isso? Na platéia o prefeito, um punhado de gente que nem sei quem são e o Senador Garibaldi. “Ô Garibaldi, Garibaldi? E o Renan, pô? Vocês deixaram o homem lá?”

Pois é, eu, como nordestino, já deveria saber que estas coisas regionais, em sua maioria, são uma grande porcaria! Tudo financiado com dinheiro público é claro!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Nova Aquisição


Imitando o Laurini, minha nova aquisição. Leitura para as férias.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Natal

Este blog é ruim, já falei isso várias vezes. A coisa boa é que ele serve de link para outros bons blogs. Porém, mesmo sabendo disso, algumas pessoas ainda lêem o que eu escrevo. Fiquei muito surpreso quando o André Luiz Greve Pereira me abordou na ANPEC para dizer que era um leitor assíduo. Valeu André. Enfim, outras pessoas passam por aqui. O Shikida de vez em quando dá uma moral para os meus posts, colocando-os no De Gustibus. Mando um abraço para os amigos: Laurini, Cristiano, Adriano Paixão, Cleiton, Adolfo, Renato Sugahara, Zé, entre outros. Só desejo coisas boas para todos. Para encerrar, uma mensagem de fé dos Malvados.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Eco e Martini

O Adolfo falou sobre alguns aspectos religiosos em seu tópico mais recente. Por isso, resolvi escrever algo. Na verdade é mais uma dica de leitura do que uma opinião.

Em 1995 iniciou-se um intenso debate em torno de questões religiosas na Itália. Esta discussão, realizada a partir de cartas abertas entre um laico, Umberto Eco, e um Cardeal do Vaticano, Carlo Maria
Martini, foi publicada no livro “Em que crêem os que não crêem?"*.

O livro é denso, tanto que em uma das cartas Martini preocupou-se com o elevado nível das discussões. Para ele, os leitores não conseguiriam acompanhar o tema em questão. A resposta de Eco foi a seguinte: “[...] não se preocupe se alguns dizem que falamos difícil: eles poderiam ter sido encorajados a pensar fácil demais pela ‘revelação' da mídia, previsível por definição. Que aprendam a pensar difícil, pois nem o mistério, nem a evidência são fáceis".

Porém, o ponto alto é a resposta de Eco ao questionamento de quais seriam os padrões éticos de um leigo, perante a descrença em uma força superior. Nela, vocês verão uma bela definição de respeito ao indivíduo.

*Eco, U., Martini, C. (2004). Em que crêem os que não crêem?. Rio de Janeiro: Record.

Dinheiro público

Ontem participei de uma banca de monografia onde a aluna analisou o programa “Jovem Empreendedor”. Sua principal conclusão foi: o programa, que em quatro anos atendeu 10 mil jovens, conseguiu formar apenas 215 empreendedores. Desses 215, uma dezena conseguiu levar o negócio adiante. Logo, ineficiência plena. E mais, tudo à custa de mais de meio milhão de Reais. Um membro da banca questionou: “não se prenda a essa análise fria dos dados, tente ver como o programa contribuiu para a felicidade dos 9 mil e poucos que não se tornaram empreendedores. Será que as vidas deles não melhoraram? Faça uma análise qualitativa.”

Na minha fala, entre outras coisas, retruquei: Felicidade dos jovens com mais de meio milhão de Reais dos cofres públicos?

Transposição do Rio São Francisco

O Don Cappio abandonou sua greve de fome. Porém, o que ele desejava com isso? Respondo, ele queria que a transposição do Rio São Francisco fosse discutida de forma racional. Lamento Don Cappio isso não é mais possível! Por quê? Porque o projeto já foi aprovado no congresso, ou seja, não há o que debater. Porém, embora isso seja um fato, quero colocar algumas questões. Adianto, elas serão contra o projeto de transposição. Sou sertanejo, conheço de perto a realidade, mas vou de encontro ao senso comum. Vejamos alguns tópicos. Vamos deixar de fora a questão do desperdício de dinheiro público, quero me deter em um ponto: o problema do nordeste é água? A resposta é NÃO! Em primeiro lugar, caso existisse, o problema da água seria do semi-árido, cerca de 80% do Nordeste. Porém, se isso é verdade, por que na zona da mata nordestina, rica em precipitação pluviométrica, o homem do campo vive em condições piores do que no semi-árido? Primeira dúvida. Outro ponto, os que entendem do assunto dizem que água, por si só, não resolve o problema do semi-árido, pois a terra dessa região não reage bem a projetos de irrigação. Surge então outra dúvida.

A relação de trabalho no sertão ainda é pautada em aspectos bem primitivos, tipo: meeiros. Ou seja, caso seja implementado um choque de produtividade, quem garante que o produto será direcionado ao pequeno produtor, ou morador? Normalmente, a questão da seca tem sido tratada por meio de políticas “keynesianas” (tipo, frentes de emergência), isso é um ataque à dignidade do sertanejo. Ele precisa de qualificação para saber lidar com a terra e com os problemas dela decorrentes. Vamos debater isso de uma forma mais séria? Poxa, Don Cappio, isso não é mais possível!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Os donos do mundo


Muitos de nós trabalhamos em lugares cheios de pessoas que acreditam na existência de um poder capitalista central, onde todas as decisões são tomadas com o intuito de sacrificar a classe trabalhadora. Pois bem, eles estão certos! Inclusive, os Malvados já possuem uma série de tirinhas com esta temática "O encontro anual dos donos do mundo".

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Passeio



Hoje conheci o litoral sul do Rio Grande do Norte. Como sempre as paisagens são muito belas. Deixo umas fotos do que vi.

Escola de Governo no RS


A escola de governo é lançada no Rio Grande do Sul. Boa sorte Sabino.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Aldo e sua lei

O Moral Hazard (risco Moral) presta solidariedade ao deputado federal Aldo Rebelo PC do B/SP. O deputado Aldo é o autor do projeto de lei que torna obrigatória a tradução de estrangeirismos em documentos oficiais e informes publicitários, inclusive cartazes de lojas etc. Lógico que este blog (diário digital) não poderia deixar de apoiar uma idéia tão brilhante. Em uma entrevista para a CBN o deputado disse que a lei seria muito útil, pois as pessoas se sentem muito constrangidas quando não entendem os anúncios em outras línguas. Logo, o estado deve intervir. Pergunto: não seria mais simples que os indivíduos, ao se sentirem ofendidos com o “50% OFF”, procurassem a loja ao lado que escreve “Desconto de 50%”?

Quando perguntado se a lei seria estendida para os livros, jornais e outros meios de divulgação o deputado respondeu: não, pois seria censura.(???)

Bem público

O passarinho verde que costuma contar as coisas para o Shikida possui um parente aqui no Nordeste. Segundo esta ave, a banca de um concurso público perguntou para um candidato o que era um bem público. O infeliz então respondeu: o todo aquele que é ofertado pelo governo. Seria engraçado se não fosse verdade. Como seria interessante se as pessoas tivessem a consciência do que é um bem público. Só assim poderíamos viver em um ambiente social mais saudável.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Férias e tal...


O "dono" deste blog está em férias. Tento pensar em algo, mas é bem difícil. Os amigos estão demandando muito tempo. O chato de tudo é descobrir que eu moro em uma cidade mas não a conheço. Em breve mais detalhes ...

P.S.: Eu e o professor Renato Sugahara na praia de Ponta Negra (Natal).

Andando por aí...


Não percam.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Ele de novo.

Leitores, não é nada pessoal, não mesmo! Porém, o Márcio Pochmann provoca. Vejam suas propostas relacionadas ao mercado de trabalho aqui.

Andreza Palma, obrigado pelo link.

sábado, 8 de dezembro de 2007

ANPEC/SBE IV: Humor.

Cheguei a Recife e fui recepcionado pelo pessoal da agencia de turismo que, por sua vez, providenciariam meu traslado para o Hotel. Fiquei no canto esperando as demais pessoas que também fariam o trajeto. Neste meio termo, apareceu o presidente do IPEA (Márcio Pochmann) que, prontamente, apresentou-se: --Prazer, Márcio. –Prazer (??), Erik. --De onde você é? –UFRN, respondi. Então, ele saiu para o outro lado. Fiquei com vontade de falar: --visite meu blog, e os meus links favoritos, na blogosfera, nós sempre falamos de você!

ANPEC/SBE III: Com a palavra os estatísticos

Não sei se todos concordam, mas acho que, na média, os grandes pesquisadores em estatística são mais “gente da gente” do que os da economia. Para ver isso, basta observar o comportamento dos caras apresentando ou não os trabalhos. Neste ponto, cito o Dani Gamerman, Ronaldo Dias, Luiz Hota, entre outros. Quanto aos economistas “boçais” prefiro não citar nomes, mas acho que cada um tem uma lista na cabeça. Pois bem, em uma conversa com o Flávio Ziegelmann e o Ronaldo Dias ouvi a seguinte frase do Ronaldo: “os economistas, em especial os que trabalham com a parte social, costumam fazer afirmações sem nenhuma evidência, usando apenas a experiência ou coisa do tipo. Ora, isso não é ciência, isto é opinião e opinião todos nós temos. Por isso, vejo a econometria com nos olhos. Com ela é possível introduzir uma base científica na tua idéia.” Concordo plenamento Ronaldo.

ANPEC/SBE II: Os contatos

O bom mesmo destes encontros é rever os amigos e conhecer gente nova. Neste ponto, Adriano Firmino, Paulo Jacinto, Luciano Sampaio, Edilean, Oswaldo, entre outros foram responsáveis por grandes momentos de descontração. Conversamos sério em poucos momentos. O Flávio Ziegelmann também estava lá conversamos muito e fechamos à elaboração de alguns trabalhos em parceria. Porém, foi lamentável não poder conversar mais com o Adolfo Sachsida, pois nos conhecemos só no último dia. Em resumo, esta é a parte boa do congresso.

ANPEC/SBE I: As palestras

Assisti poucas apresentações nos congressos. Concentrei-me na SBE. Vi as seções de econometria, finanças e de economia monetária. Apresentei meus trabalhos na sexta-feira pela manhã, o pior dia. Nas seções nas quais apresentei papers não houve nenhuma discussão forte em torno dos trabalhos. Porém, quem conhece estes encontros sabe que isso nunca ocorre.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Humor

O Adolfo colocou esta piada em seu blog:

"Um reporter faz a seguinte pergunta ao presidente Lula:

- Presidente, uma pesquisa recente de opiniao publica diz que 63% dos entrevistados sao contra a reeleicao. O que o Sr. acha disso?

- Isso nao quer dizer nada, pois se tivessem perguntado para mim nao seriam 63 seriam 64.....

sabem qual e a graca da piada???? E que nao e piada.... nosso presidente proferiu essa perola da sabedoria."

Entretanto, o mais engraçado foi o comentário do Badger:

"Dizem que Calígula tentou fazer de seu cavalo Incitatus um Consul. Bom, o brasileiro o superou. Elegeu um jumento presidente."

Boa, boa.

domingo, 2 de dezembro de 2007

OFF: Futebol.

Não gosto de falar sobre futebol, mas hoje vou me permitir alguns comentários. Em um país sério, o Corinthians já teria sido rebaixado a um bom tempo, devido ao escândalo importado do mundo comunista. Vejam o exemplo do que ocorreu na Itália no ano passado. Por conta disso, a queda da equipe paulista foi muito bem vinda. Neste caso, devo ressaltar a seriedade das equipes do Internacional, Grêmio e Atlético Mineiro. Parabéns! Com relação a última vaga para Copa Libertadores da América, conquistada pelo Cruzeiro, acho que ela deveria se deixada em branco, dada a incompetência de todas as equipes que brigaram por ela.

Palmas, o retorno.


Bati o record de pousos e decolagens em minha volta de Palmas – TO. Ao todo foram cinco em cada categoria. Um verdadeiro pinga-pinga: Palmas-Brasília-Belo Horizonte-Rio de Janeiro-Salvador-Natal. Porém, valeu à pena. Pude rever dois grandes amigos (Adriano Paixão e Adriano Firmino) e constatar que o Marcelo Portugal está certo: os talentos são distribuídos uniformemente ao longo do país. Tive contato com bons alunos de graduação, daqueles que, sendo bem orientados, vão longe. Quanto à orientação, eu fico tranqüilo, pois, colocando a amizade de lado, sei que os professores Paixão e Firmino desenvolvem um excelente trabalho junto ao curso de economia.

Quanto à cidade, foram dias agradáveis, inclusive com relação às temperaturas. As chuvas de lá, que não são tão freqüentes, me lembraram as chuvas do sertão. Aliás, a cidade é uma mescla de várias culturas, principalmente do Norte. Neste sentido, foi tudo uma grande novidade para mim.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Palmas.

Estou indo para Palmas agora de madrugada. Lá, ministrarei um mini-curso e participarei de uma banca. Retorno no sábado.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Nota política.

Sabe qual a semelhança entre os casos da cadeia unisex do Pará e a queda da arquibancada da Fonte Nova na Bahia? Os respectivos governadores destes estados, Ana Júlia (PT) e Jaques Wagner (PT), culparam as administrações passadas. É a escola de governo do PT.

Elon Lajes Lima e a educação.

Lembram da discussão sobre educação? Pois bem, o Elon Lajes Lima fala sobre isso. Baixem o video aqui.

domingo, 25 de novembro de 2007

Palestra de Aloísio Araújo sobre Nash no IMPA.

O Aloísio apresenta um excelente seminário sobre a contribuição de Nash para a teoria dos jogos. Baixem aqui. Agradeço ao Cleiton Roberto pelo link.

Matéria sobre o livro de ditados populares.

Cliquem aqui.

Para os alunos: como se faz um relatório.

Os créditos da divulgação deste documento devem ser atribuídos ao matizes escondidos e ao De Gustibus. Coloco o link aqui, para que meus alunos possam ver como se elabora um relatório e o que eles precisam saber para tanto.

Cleópatra, de Júlio Bressane.

O filme deve ser horrível, o público vaiou, chamou de perturbador, difícil... mas o que mais me chamou a atenção foi o seguinte comentário: não deveria ter sido feito com dinheiro público. Matou a pau o cidadão. (cliquem aqui).

sábado, 24 de novembro de 2007

Ainda sobre a Educação.


Recentemente, Adolfo Sachsida dissertou sobre a qualidade do ensino no Brasil. Aproveitando a “deixa” o Márcio Laurini complementou a discussão com argumentos muito interessantes. Ao ler estes tópicos, recordei do prefácio de um livro de Carl Sagan: “O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro”. Nele, Sagan recorda de dois acontecimentos de sua infância em 1939. A lição destes ocorridos foi: os seus pais, embora não fossem cientistas, despertaram nele o ceticismo e a admiração, dois elementos centrais para o método científico.

Anos depois, na Universidade de Chicago, Sagan foi aluno de Enrico Fermi, Subrahmanyan Chandrasekhar, Harold Urey e Robert Hutchins. Este último, por exemplo, considerava um absurdo um físico não conhecer Platão, Aristóteles, Bach, Shakespeare e Freud, entre outros. O autor relata com entusiasmo as experiências das aulas iniciais em Chicago. Porém, não obstante a importância destes mestres para a sua formação, ele considerava que as maiores lições de ciência foram ministradas por seus pais, em sua casa, no remoto ano de 1939.

É importante ter em mente tal experiência, principalmente em uma época em que alguns membros do meio acadêmico buscam impor o título de “professor” na marra.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

The Kinks



A trilha sonora da semana é The Kinks, "Schoolboys in disgrace, 1975". Destaco três músicas: The hard way, Schooldays e The first time we fall in love. Descobri o Kinks a partir do blog do Cristiano, desde então venho vasculhando as músicas da banda.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Absurdo no IPEA.

Laurini, concordo contigo: um horor! Essa foi a coisa mais absurda que já vi na vida, aprendam: "Sic-sú, professor Sicsú". Querem ficar horrorizados também? Cliquem aqui.

Livro de ditados populares.

Livro de ditados populares, versão revisada e ampliada (cliquem aqui para download).

domingo, 18 de novembro de 2007

Nosso Mundo.

É engraçado como os heterodoxos, em especial, os pós-keynesianos elaboram suas críticas à teoria ortodoxa. Freqüentemente eles a classificam de abstrata e não condizente com a realidade. Entretanto, uma construção teórica não necessita de uma total correspondência com a “realidade”, certo? Pois bem, vou citar uma incoerência pós-keynesiana, praticada pelo professor Gilberto Tadeu de Lima:

Mesmo reconhecendo que qualquer formulação teórica não é um retrato fiel da realidade, os pós-keynesianos rejeitam os modelos de equilíbrio geral por estes abstraírem os aspectos que primordialmente caracterizam as economias do mundo real, a saber, a irreversibilidade do tempo histórico, a inexorável incerteza que cerca o futuro e, em função disso, o estratégico papel desempenhado pela moeda.”

No entanto, mais à frente (Lima, 1992, p. 107) o autor esqueceu da observação de que “qualquer formulação teórica não é um retrato fiel da realidade”, e, ao conceituar a economia monetária, afirmou:

Em um mundo – nosso mundo– onde a incerteza que recobre o devir é algo inescapável, a moeda assume um papel essencial no processo capitalista de tomada de decisão, funcionando como a defesa mais segura contra as conseqüências negativas associadas à irreversibilidade do tempo histórico” (Grifo meu).

Como vêem, a coerência nem sempre está presente nestes estudos.

*******

LIMA, Gilberto Tadeu de. Em busca do tempo perdido: a recuperação pós-keynesiana da economia do emprego de Keynes. Rio de Janeiro: BNDES, 1992.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Você só pode estar brincando, senhor Pochmann.

O Richard Feynman que me perdoe por parodiar o título de um livro seu. Para quem não sabe, o Feynman foi um dos maiores gênios que a terra conheceu. Um físico notável. Entretanto, este ensaio não tem nada a ver com genialidade e sim com o seu inverso, ou seja, a ignorância. Logo, tenho que apresentar o outro personagem: o senhor Marcio Pochmann. Ele é o atual presidente do IPEA (instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ele nos “prestigiou” com sua presença no Encontro da ANGE de Natal, recentemente. Porém, devo alertar que ele não fez NADA relacionado à pesquisa para ocupar um cargo de tamanha responsabilidade. Então por que ele está no IPEA? Respondo, o senhor Pochmann tem um bom trânsito com a PT (Partido dos Trabalhadores).

Vou resumir a carreira “acadêmica” do senhor Pochmann: graduação em economia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), mestrado e doutorado na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). O senhor Pochmann, presidente do maior órgão de pesquisa do país, não possui NENHUMA publicação em periódicos de nível A no país (me refiro apenas aos periódicos nacionais, os internacionais nem se fala, para detalhes vejam a plataforma Lattes do CNPq). A esta altura todos devem estar perguntando, por que tanto “ódio” do senhor Pochmann? Explico: o senhor Pochmann está afastando os grandes pesquisadores do IPEA, pesquisadores do nível de Ricardo Paes de Barros, Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli. Porquê? Porque eles discordam da política de aumento de gastos do governo Lula. Ou seja, uma decisão política interferindo em um órgão de pesquisa.

Não me contenho, vasculhando a internet vi a grande pesquisa do senhor Pochmann. Ela se encontra no site da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), com o título: Brasil: o segundo país com mais desemprego no mundo. A grande pérola da pesquisa, que têm tantas que fico confuso, é essa:

“Em 20 anos, o Brasil pulou da nona para a segunda posição entre os países com maior quantidade de desempregados no mundo, ficando atrás apenas da Índia.” (Grifo meu).

Senhor Pochmann, você analisou o número de desempregados? O senhor é um fanfarrão, Senhor Pochmann! (peguei esta do “Tropa de Elite”). Não acabe com a pesquisa, já tão surrada no Brasil, senhor Pochmann. Você só pode estar brincando, Senhor Pochmann.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Desmando.

O De Gustibus já havia denunciado: o IPEA está mandando embora seus melhores pesquisadores. Motivo: eles discordam da política de aumento de gastos do governo. Para quem não sabe, o IPEA é presidido, atualmente, pelo economista Marcio Pochmann. Eu, respeitosamente, sempre o classifiquei de PICARETA. Fiquei feliz em ver que não sou o único a pensar assim (cliquem aqui)

É muito triste observar o que estão fazendo com o país em nome da perpetuação do poder.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Elements of Crime

Estou "descobrindo" esta banda alemã. Até agora gostei do que vi:

Conceito de Democracia

Prometi a mim mesmo não falar de política neste blog, muito menos do Presidente Molusco, mas diante de seu conceito de democracia, vejam aqui.

Um leitor anônimo resume o meu pensamento:

"Os brasileiros que trabalham honestamente, que pagam altos impostos, que nao vivem de Mensalao, que nao levam Dolares na cueca e muito menos vivem de alguma "boquinha" governamental/sindical, tem VERGONHA de ter um Presidente como o Lula."

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Semana de Matemática

Tenho dois bons amigos no Departamento de Matemática da UFRN, o Fagner e o André Gustavo. O Fagner está organizando a Semana de Matemática e me convidou para palestrar sobre algo. Dada esta liberdade, resolvi falar sobre as bases matemáticas da microeconomia e suas aplicações: crime, relações pessoais e até matrimônio. Lógico que o Gary Becker esteve presente (risos).

O interessante é que os estudantes de matemática acharam tudo aquilo maravilhoso. Modelar o comportamento humano? Que bacana!

Quem dera eu tivesse alunos assim na economia.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Pixies

João Pessoa, início dos anos 2000. Calor forte e incerteza quanto ao futuro. Neste contexto, uma das minhas diversões prediletas era escutar o Pixies, direto. Esta é a minha preferida:

Barry Lyndon by Cristiano Gomes

O Cristiano comenta a parte técnica do filme Barry Lyndon (Kubrick, 1974):

"Barry Lyndon é um grande avanço tecnológico. A cena em que o pessoal se reúne a luz de velas não usou luz artificial. O filme todo é feito com iluminação natural. Kubrick só usou rebatedores em algumas passagens. O resultado é o que vemos na tela. Entretanto, é na cena da luz de velas onde o avanço é notado. Ela demandou a construção de uma câmera própria e a lente é a mesma que a NASA usa para fotografar do espaço. Também existe a questão de composição que o Kubrick faz em Zoom que é loucura. Serve para demonstrar que vemos uma pintura e que a narrativa arrancará algo dela. Todo filme é montado neste principio impossível de executar salvo se há domínio técnico por completo.

O que mais impressiona é que a produção usou película de 35 mm para as belas imagens. Seria relativamente mais fácil, mas não menos trabalhoso, se eles tivessem filmado em 70mm. O único filme que se assemelha a Barry Lyndon na qualidade da fotografia – uma fita antológica chamada Dias do Paraíso – foi fotografado em tal processo. Completo o raciocínio dizendo que ambos os filmes consumiram dois anos de filmagens e isto demonstra a dificuldade da captação das imagens. Filmar ao entardecer sem luz artificial é trabalho para poucos. Lembre-se: o processo é película e não digital.

Logo, não há controle total do que fotografamos e a palheta de cores é bem diferente. Se você olhar nas fotos de meu orkut, existe um exemplo claro do que digo. Agora, se você quiser acompanhar como é a evolução da fotografia digital, veja Miami Vice: tecnicamente, um avanço monstruoso dado a qualidade de imagem. Entretanto, sempre preferirei – embora o custo seja muito superior e a captação mais difícil – a fotografia analógica: os motivos são exatamente Barry Lyndon e Dias do Paraíso."

As fotos que o Cristiano se refere estão logo abaixo. A primeira é digital, a segunda película:



domingo, 11 de novembro de 2007

Quem tem medo do liberalismo?

“Atirou em quem viu, acertou em quem não viu” o Claudio Shikida dá um show ao explicar este ditado. Em suma, ele mostra as distorções causadas pela intervenção estatal. Não me seguro, recomendo a leitura do livro: “Em terra de cego quem tem um olho é rei: usando a teoria econômica para explicar os ditados populares”. Sou cabotino, pelo menos neste momento, tenho um capítulo nele, o menos interessante, mas tenho.

Proteção à indústria infante? Isso é bom? Shikida diz que não e eu concordo com ele. Está na hora de debatermos o papel do estado na economia de uma forma séria, ou seja, sem à presença do senso comum. Os ingênuos estruturalistas achavam que se fechando para o mundo o país cresceria. Se fechando em uma estratégia de incentivo a indústria intensiva em mão-de-obra qualificada? Que maravilha! Mas o Brasil é intensivo em que mesmo? Daniel Lafetá disse que era em trabalho não-qualificado e ganhou o prêmio BNDES com isso. Vejamos, se o Brasil é intensivo em trabalho não-qualificado e os estruturalistas privilegiam o trabalho qualificado o que isso gera? Já sei: DESIGUALDADE! Anne Krueger estava certa!

Outro grande desvendador de mistérios é o Samuel Pessôa, ele lançou o paper: Por que o Brasil não Precisa de Política Industrial? E o bacana é que ele mostra as razões. Vejam aqui:

http://epge.fgv.br/portal/arquivo/2191.pdf

Recentemente em seu blog, o Gary Becker discute o papel da liberação comercial (vulgo globalização) na melhoria da distribuição de renda mundial. Becker, nós já discutimos isso para o Brasil e o fato é: a renda melhorou e muito com a abertura.

Por fim, a mensagem, nada subliminar, PRECISAMOS DE LIBERALISMO. Neste aspecto aproveito para divulgar o encontro liberal a ser realizado em Brasília nos dias 01 e 02 de dezembro. Mais informações no Blog do Adolfo Sachsida:

http://bdadolfo.blogspot.com/

Evoé Adolfo.
Adoro a camaleão do Rock e essa é a minha preferida



Viva Bowie....

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Comentários sobre o livro dos ditados.

O Ronald Hillbrecht, gostou do livro:


"Sempre achei que houvesse um problema nas faculdades de economia: ou se ensina teorias pterodoxas (gostei do neologismo) ou se abusa da linguagem matemática sem se preocupar com o significado econômico das teorias. Enfim, parece faltar aquilo que Ronald Coase denunciava: uma pitada de realidade (aplicação empírica) nas teorias….Mas esses dois e-books começam a preencher o vácuo existente e revelar o potencial explicativo da teoria econômica convencional, usando casos do cotidiano. Como economia é a ciência do comportamento humano racional, projetos como esses estão fadados ao sucesso.Analyse this: Apenas como sugestão de reflexão usando os métodos de economia, é uma frase que vi pichada no viaduto da João Pessoa, perto da FCE-UFRGS: “Riqueza gera miséria”. Tem muita gente que acredita nisso, incluindo doutores em sociologia formados na França!
Esse pode iniciar uma nova série sobre crendices populares (ou uma atualização do Febeapá, com conteúdo teórico).Parabéns pela iniciativa!" - Ronald Hillbrecht.

Fonte: De Gustibus

Coordenação de área da CAPES.

A Sociedade Brasileira de Econometria indicará os seguintes nomes para a coordenação de área da CAPES:

* Naercio Aquino Menezes Filho
* Emerson Luís Lemos Marinho
* João Victor Issler

Sem dúvidas bons nomes. Espero que a CAPES acate estes nomes e que critérios de eficiência sejam implementados, doa a quem doer.

A Clockwork Orange by Cristiano Gomes.

Recentemente o Cristiano Gomes me deu uma aula de cinema ao comentar o filme “Laranja Mecânica” do Stanley Kubrick (A Clockwork Orange, 1971). Sinto-me na obrigação de dividir este conhecimento com os leitores deste blog. A primeira pergunta que fiz foi relacionada à qualidade da fotografia, eis a resposta:

“As imagens são boas porque antes de tudo, Stanley Kubrick foi um dos maiores fotógrafos que o mundo já conheceu. O cara já era um dos grandes fotógrafos mundiais quando tinha 17 anos. Ele sabia iluminar e sempre modificava as câmeras para filmar. O ápice é o filme posterior a Laranja chamado Barry Lyndon. No caso de Laranja Mecânica, ele usou, pasme, uma Arrifelx 35mm da segunda guerra com grande angular. Também filmou muito nas chamadas horas mágicas: por do sol e amanhecer. É um processo difícil e penoso porque requer conhecimento técnico. Não sei direito lhe informar qual tipo exato de negativo usado. Ele fotografou tudo em 35mm e não estourou o negativo. Isso é tudo que sei do processo.”

Em seguida questionei sobre os efeitos do plano principal do filme, que segundo ele privilegiam o personagem central da trama, ele então escreveu:

“Sobre o plano principal, na cena onde a velha morre, tente reparar nos quadros do cenário e depois, na hora em que o objeto fálico bate nela, veja em câmera lenta as animações. Todo principio de mensagem subliminar é demonstrado de forma clara e o filme trabalha com isso durante toda sua projeção. É a seqüência onde fica mais clara a questão de composição para o propósito que ele queria no filme. Regra básica de cinema: sempre um detalhe no plano geral entrega a cena.”

Resta-nos rever o filme. Obrigado Cristiano!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Livro de ditados populares.

Acabou de sair o nosso livro sobre ditados populares (fiquei com o capítulo seis). O nome mudou em relação ao original, mas ficou bem bacana.

EM TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI: USANDO TEORIA ECONÔMICA PARA EXPLICAR
DITADOS POPULARES


O livro é organizado pelo Adolfo Sachsida. Espero que vocês gostem do que o Marcelo chamou de "Doidonomia".

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Trem dos Horrores.

Quando entrei no ônibus que faz o trajeto João Pessoa/Natal achei que estivesse enganado. Aquilo mais parecia o trem dos horrores. E não foi só o estado do veículo, mas o da tripulação também. Não identifiquei ninguém que possuísse todos os dentes na boca. Um verdadeiro show de horrores. Tinha a senhora gorda vestida com uma roupa cor-de-rosa bem justa, uma velha parecendo um “caco de telha”, um casal com uma penca de filhos barulhentos e, para finalizar, um travesti com a barba por fazer.

Saímos num calor dos diabos rumo ao inverno, achava eu. Juro que minha visão de inferno era bem diferente, imagino sempre umas diabinhas gostosas vestidas de maiô vermelho, mas não era este o caso. Cheguei a Natal com meia hora de atraso e vi um imenso engarrafamento. Desci do ônibus para pegar outro. Passavam ambulâncias do SAMU e da polícia rodoviária. Eu previ que acontecera um acidente logo à frente. Porém, um cidadão se aproximou de mim e perguntou: foi um acidente, foi? Durante cinco segundos imaginei vinte formas de mandá-lo tomar no c... Como é que eu vou saber?

Enfim estou em casa e para relaxar, só mesmo lendo os Malvados:

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Finalmente

Finalmente um feriado tradicional. Daqueles em que não se faz nada. Fazia tempo que não tirava uns dias para almoçar na casa de amigos, receber as pessoas em casa, viajar para conversar com a família, dormir cedo, acordar tarde...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Leonard Cohen.

Gosto muito do Leonard Cohen. O conheci a partir de uma dica de música na Rádio Gaúcha, a melhor rádio AM do Brasil, me atrevo a dizer, sou viciado em rádio AM, mas falo disso outra hora. Hoje escutei uma versão de "Hallelujah" no filme Edukators (cantada por Jeff Buckley), mas prefiro a original:

SBE e ANPEC

Meus trabalhos serão apresentados na sexta-feira (07/12):

SBE

Sessão 24 – Economia do Trabalho II – Sala

Coordenador:

Pazello, Elaine (FEA-USP); Mattos, Enlinson (EESP-FGV) e Orellano, Veronica (EESP-FGV) “A substituição de trabalhadores como instrumento para a redução de gastos com salários: evidências para o Brasil”

Figueirêdo, Erik (UFRGS) e Ziegelmann, Flávio (UFRGS) “Mobilidade de Renda e Bem-Estar Econômico no Brasil”

Silva, Renan (FEA-USP) e Pazello, Elaine (FEA-USP) “A relação entre a formalização das micro e pequenas empresas e de seus empregados: ‘matching’ ou causalidade?”

Buchmann, Gabriel (PUC-Rio) “Interaction between Education, Fertility and Political Economy and its consequences for the Income Distribution”.

ANPEC

Sessão Ordinária 59 - Demanda e bem-estar

Presidente: Naércio Menezes-Filho (IBMEC-SP e USP)

Estimando a Demanda Domiciliar por Telefones Fixos com Dados Agregados Brasileiros
Mauricio Canêdo-Pinheiro (IBRE-FGV), Luiz Renato Lima (EPGE)
Debatedor: Erik Alencar de Figueiredo (UFRGS)

Liberdade Econômica, Liberdade Política e Felicidade: uma análise empírica de um painel de países
Raphael Bottura Corbi (USP), Naércio Menezes-Filho (IBMEC-SP e USP)
Debatedor: Mauricio Canêdo-Pinheiro (IBRE-FGV)

Mudança na Distribuição de Renda Brasileira: significância estatística e bem-estar econômico
Erik Alencar de Figueiredo (UFRGS/UFRN), Flávio Augusto Ziegelmann (UFRGS)
Debatedor: Naércio Menezes-Filho (IBMEC-SP e USP)

DESEdukators

Assisti agora à tarde o filme Edukators (Weingartner, 2004) e não gostei do que vi. Confesso que fiquei surpreso com a visão viesada, quase panfletária do filme, de modo a ficar esperando a cada instante por uma reviravolta. Trocando em miúdos, sua mensagem pode ser resumida na seguinte frase: O mundo está uma porcaria e é tudo culpa do sistema capitalista. Em uma leitura mais específica, poderíamos dizer que os ricos, são todos filhos de mães que freqüentam a zona. O pior de tudo é que eles tentam passar a impressão de que isso é verdade. Ora, por que aquele rico denunciou os coitados, só porque eles invadiram a sua casa e depois o seqüestraram? Só por isso? Ele processou a moça só porque ela estava dirigindo sem habilitação e em um descuido bateu na traseira do seu carro? Este cara não tem coração!

O ponto alto do filme ocorre quando o personagem de Daniel Brühl, no meio de um debate vagabundo, questiona o empresário (Burghart Klaubner): quantas horas você trabalha por dia? Então ele responde: 14 horas diárias. Então Jule (Julia Jentsch) afirma: no sul da Ásia as pessoas trabalham bem mais do que 14 horas e ganham muito menos do que você. Logo, surge uma pergunta natural: as pessoas são todas iguais, ou possuem nível de produtividade e qualificação diferenciadas? Acho que todos já se cansaram de ouvir a frase: “menos de 2% das pessoas concentram parcela significativa da renda mundial”. Porém, quem fala isso já se deu o trabalho de ler o que estes 2% fizeram para alcançar esta fatia do bolo?

Entretanto, para fechar o festival de clichês o advogado diz: “todos temos as mesmas oportunidades!” Isso não é verdade, mas isso será o tema de um tópico futuro. Porém, a crítica não virá de onde os roteiristas do filme querem. Enfim, se querem perder 2 horas de sua vida vendo isso, fiquem à vontade. E mais, recomendo que assistam Lamarca, Diários de Motocicleta...

P.S.: A única coisa bacana é ouvir a versão de "Hallelujah" do Leonard Cohen.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Globalização e desigualdade

Em um tópico recente (Globalization and Inequality), Gary Becker discute o efeito da globalização sobre a distribuição de renda em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Grosso modo, ele conclui, com base no relatório do FMI, que o processo de integração constitui uma importante fonte de distribuição de riquezas, principalmente para as nações relativamente mais pobres.

Esta conclusão não é surpreendente para aqueles que estudam os modelos de comércio internacional. Em um estudo recente, eu e outros autores, concluímos que o processo de abertura econômica contribuiu para a redução na desigualdade. Isto se deu devido ao aumento da demanda por qualificação. (ver Figueiredo, Netto Junior & Porto Junior (2007). Distribuição, mobilidade e polarização de renda no Brasil: 1987-2003. Revista Brasileira de Economia, v. 61, n. 1, 2007).

Neste sentido, a abertura econômica assumiu um papel decisivo na melhora nos indicadores de renda brasileiros. É muito difícil isolar os efeitos da estabilidade econômica, abertura comercial e dos programas de transferência de renda sobre os indicadores de renda, porém o conhecimento popular tende a negligenciar o papel da abertura neste processo.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

The Stone Roses.

The Stone Roses é uma das minhas bandas preferidas. Este grupo surgiu em Manchester UK na segunda metade da década de 1980. Seu disco de estréia, The Stone Roses (1989), é considerado, por muitos, como um dos melhores álbuns desta década. Minha música preferida é "So young" lançada em um single em 1985. Vasculhando o youtube, encontrei poucos videos com qualidades de imagem e som. Mas este aí vale a pena conferir, prestem atenção no jeito "jogado" da banda:

domingo, 28 de outubro de 2007

Aborto e Violência

O S. Levitt já havia destacado: a legalização do aborto teve um efeito deletério sobre a violência dos EUA. Agora Samuel Pêssoa promove a discussão no Brasil. Vale a pena conferir. Vejam o que Pêssoa falou, cliquem aqui.

Vi no CGDD


Vi um post no CGDD e adorei a música (People Take Pictures Of Each Other, The Kinks). Então, fui no YouTube e descobri este video



Espero que gostem.

Cinema em casa.

Um domingo dedicado ao cinema. Assisti dois bons filmes. À tarde vi “O poderoso chefão III” e assim fechei a trilogia. Entretanto, acabo de assistir um longa palestino chamado “Paradise now”. Muito bom, recomendo!

sábado, 27 de outubro de 2007

Mobilidade e desigualdade de renda.

Estou começando a enveredar em uma discussão sobre desigualdade de renda e igualdade de oportunidades. De acordo com esta literatura, baseada em princípios de teoria da justiça, a desigualdade só seria um problema se dois indivíduos tivessem conjuntos de oportunidades diferenciados. Ou seja, se partiram de uma dotação inicial diferente. Neste contexto, a mobilidade intergeracional (ou seja, o efeito familiar. Exemplo: o quanto da renda do pai é transmitida para o filho) toma lugar de destaque, pois ela denota O ESFORÇO INDIVIDUAL. Exemplifico novamente: se o pai é pobre e o filho consegue migrar para os estratos superiores de renda, isso indica que o filho se esforçou, pois mesmo partindo de uma dotação baixa, conseguiu subir na vida (vide o filme “À procura da felicidade”).

Entretanto, esta literatura pode trazer conclusões “perigosas”, do tipo: temos que colocar todas as pessoas no mesmo patamar, pois a desigualdade de oportunidades gera mal-estar social. Aí teríamos argumentos em favor de cotas, bolsas família e similares. Estou lendo, mas com muito cuidado. Em breve vou lançar alguns resultados para a economia brasileira. Em suma, nós, eu e o Flávio Ziegelmann, estamos usando estatística não-paramétrica e a metodologia de obtenção das rendas de pais e filhos contida em Sérgio Ferreira & Fernando Veloso (2006). Intergeneracional mobility of wages in Brazil. Brazilian Review of Econometrics, v. 26, n. 2, 2006. Inclusive, a atenção deles com relação às nossas dúvidas é uma coisa bem louvável. Lembrando: este artigo ganhou o prêmio Adriano Romariz Duarte da BRE em 2006.

Aproveitando o embalo, eu e os professores Jorge Mariano e Luciano Sampaio, estamos elaborando um estudo sobre mobilidade rural no Nordeste. Resultados em breve.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007



Esta semana começei a escutar uns discos antigos. Entre eles se destacou o "A Little Help From My Friends - 1969" do Joe Cocker. Gosto da performance do velho Joe no palco, ele se contorce feito um louco quando canta. Tenho o DVD da turnê norte-americana. Para finalizar, deixo um video da música que dá o nome ao disco (todos sabemos que ela é dos Beatles). Esta apresentação na Woodstock se tornou clássica. Quem não lembra do tema de "Anos Incríveis"?


A ABNT e o desmatamento.

Venho fazer uma denuncia: a ABNT e os cursos de biblioteconomia são os responsáveis pelo desmatamento e, conseqüentemente, pela degradação do meio-ambiente. Explico, minha tese tinha cerca de 70 páginas. Eram três ensaios, divididos como papers independentes, porém interligados. A Elaine Gonçalves, bibliotecária de UFRGS, colocou a mão e pronto, transformou meu trabalho em uma coisa monstruosa. O tal de 2 espaços de 1,5 pra lá e folhas disso e daquilo acrescentaram mais umas 20 páginas. Logo, teremos que derrubar mais árvores para imprimir uma quantidade maior de texto. Conclusão: a ABNT é culpada pelo desmatamento e ponto final.

Na verdade fico extremamente aborrecido com essas coisas. Perdi muito tempo para colocar tudo nas normas. Por isso peço ao Al Gore que faça algo por mim...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Cidadão Kane.

Assisti “Cidadão Kane” no domingo (Citizen Kane, Orson Welles, 1941). Acredito que para se ter noção da importância deste filme, devemos nos transportar para a década de quarenta, pois o roteiro, a maquiagem e os demais aspectos técnicos não impressionam, dada a nossa contaminação pelo cinema moderno. Porém, tudo foi inovador para a época. Não tenho conhecimento sobre aspectos técnicos, neste ponto o Cristiano é o mestre.

No geral, gostei do que vi. Um clássico. Um diretor (ator) corajoso. Uma história que vale a pena ser estudada. Falo não só da história contada no filme, mas tudo que a cercou. Parece-me que o Orson Welles, buscando retratar um grande magnata da época, acabou escrevendo sua própria biografia. Ascensão e decadência. Tudo bem, o contexto é bem diferente, mas a trajetória é a mesma.

sábado, 20 de outubro de 2007

Igor Stravinsky - Poética Musical

Em 1939 o compositor russo Igor Stravinsky foi convidado pela Universidade de Harvard nos Estados Unidos para ministrar um curso na série de conferências Eliot Norton, quando listou e discutiu seis lições que posteriormente foram publicadas com o título Poética Musical. Transcrevo a seguir um trecho da primeira conferência de Stravinsky, como uma forma de resumir a relação ideal entre alunos e professor:

“Até o momento tenho me apresentado apenas em palcos de concertos e salas de espetáculo para aglomerações de pessoas que chamamos de público. Mas nunca, até hoje, me dirigi a uma platéia de estudantes. Como estudantes, certamente desejosos de adquirir informação sólida sobre assuntos que lhe são apresentados, vocês não ficaram surpresos se eu os advertir que a matéria aqui discutida é séria – mais séria do que usualmente se admite. Espero que não se assustem com sua densidade, com sua gravidade específica. Não tenho a intenção de ser drástico ... mas é difícil falar de música caso se leve em conta apenas a realidade material; e me sentiria traindo a música se dela fizesse o objeto de uma dissertação composta apressadamente, salpicada de anedotas e digressões amáveis. Não esquecerei que estou ocupando uma cadeira de poética. E não é segredo para nenhum de vocês que o significado de exato de poética é o estudo de uma obra a ser feita. O verbo poein, do qual a palavra deriva, significa exatamente fazer ou fabricar. A poética dos filósofos clássicos não consiste de dissertações líricas sobre o talento natural e sobre a essência da beleza. Para eles, a palavra techné abrangia tanto as belas-artes como as coisas práticas, e aplicava-se ao conhecimento e ao estudo de regras corretas e inevitáveis de um determinado métier. Eis porque a Poética de Aristótales muitas vezes sugere idéias referentes ao trabalho pessoal, à organização do material à estrutura. A poética da música – é justamente sobre isso que vou falar para vocês; isto é, falarei sobre o fazer no campo da música. É o bastante para dizer que não usarei a música como pretexto para agradáveis devaneios. Quanto a mim, tenho plena consciência da responsabilidade que me incumbe para deixar de levar a sério minha tarefa. Assim, dou grande valor à oportunidade de estar falando para vocês, que estão aqui para estudar e receber tudo o que eu for capaz de oferecer, por outro lado espero que aproveitem a oportunidade de serem testemunhas de uma série de confissões musicais".

Ver Stravinsky, Igor. (1996). A poética musical.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ANGE II

Ontem realizei minha exposição sobre como deve ser o ensino dos métodos quantitativos em economia. Como era de se esperar, não agradei ao público, à exceção do vice-coordenador da USP e de alguns colegas e alunos. O presidente da ANGE e alguns professores da Unicamp foram de encontro às minhas idéias.

Um professor do Piauí chegou a afirmar que não precisamos de matemática para sermos economistas e que estudar quatro disciplinas de matemática de forma obrigatória seria “perda de tempo”. O presidente da ANGE disse que era falaciosa a minha argumentação de que os economistas não ocupam cargos na iniciativa privada devido à sua baixa capacidade instrumental. “Pois, os economistas DA MINHA ÉPOCA, não têm a carga matemática dos economistas de hoje, mas estão todos empregados”. Pensei: bons tempos àqueles.

Para estes professores o ensino está muito bom! O ranking da CAPES é falacioso e saber derivar já é o bastante.

Pois bem, o resumo é que ouvi muita bobagem nestes três dias. Alguns relataram que o seu curso de economia possui 3 macroeconomias, onde se estuda Keynes, Kalecki e ciclos (não os ciclos reais). Vi historiadores econômicos revoltados com a exclusão de sua disciplina em “um grande curso de São Paulo” (Seria o IBMEC?). A coisa está bem difícil.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

ANGE I

Ontem assisti um debate estimulante na ANGE. Na mesa redonda entre o professor Lineu Maffezoli e um representante do COFECON, um fato foi consolidado: “o modelo neoclássico implementado no Brasil, nos últimos anos, é o culpado para a baixa empregabilidade dos profissionais de economia”. Solução: “resistir e mudar o sistema”.

Lembrei-me de um professor meu que disse: quando um problema é grande demais, deixa de ser um problema. Levantei-me e fui embora. Hoje vou discutir o ensino de métodos quantitativos e, dado que a palavra é minha, tenho a liberdade para falar o que eu quiser. Será emocionante.

domingo, 14 de outubro de 2007

Malvados.


Os Malvados ajudando a levantar o astral do pessoal da "blogosfera".

Fonte: http://www.malvados.com.br/.

sábado, 13 de outubro de 2007

Tropa de Elite.

O Shikida já havia alertado, o filme “Tropa de Elite” é dicotômico. Nele, ou você é bandido ou mocinho, não há meio termo. Acabei de confirmar empiricamente e gostei do que vi. O filme dá um tapa na cara dos partidários da consciência social. Na verdade, em um país onde o “jeitinho” é tolerado, devemos ter idéia de onde tudo vai estourar.

Pérola da Unicamp

Esta eu vi no De Gustibus, mais uma pérola do IE da Unicamp: aumente o salário mínimo e reduza pobreza e o desemprego (clique aqui).
Trabalhadores do campo e da cidade, vamos à luta.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

ABNT

Recebi ontem a cópia da tese “corrigida” pela biblioteca da UFRGS. Nunca vi folhas tão rabiscadas em toda a minha vida. Nem mesmo a banca encontrou tantos erros no meu texto. É um tal de 2 espaços pra lá, quatro centímetros pra cá... Pior, elas acham que todos usam “Word” para digitar seus textos. Confesso, terei um trabalho do cão para colocar essa coisa toda nas normas.
Viva à ABNT e à sua contribuição para o desenvolvimento da ciência.

Avaliação da CAPES

A CAPES divulgou o resultado da avaliação trienal dos cursos de pós-graduação no país. A grande surpresa foi a “queda” da EPGE-FGV/Rio.

http://www.capes.gov.br/servicos/salaimprensa/noticias/noticia_0819.html

Com isso houve um aumento de centros com nota 6.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Ensino de economia.

Em uma postagem recente alertei para a urgência de se reformular o ensino nas graduações em economia. Pois bem, a oportunidade surgiu. Fui convidado para coordenar a mesa de métodos quantitativos no Encontro da ANGE em Natal (http://sol.ccsa.ufrn.br/ccsa/ange2007/index-apresenta.html).

O objetivo é discutir o ensino destes métodos em economia. Já tenho uma idéia sobre os problemas que abordarei, mas espero por sugestões.

domingo, 30 de setembro de 2007

Mobilidade Social Igual a UM.

O filme “À procura da felicidade” (Gabriele Muccino) retrata bem uma situação de mobilidade social. Em resumo, Chris Gardner (Will Smith) sai da extrema pobreza, para o topo da distribuição de renda. Como? A partir da superação das dificuldades. Usando quais armas? A capacidade INDIVIDUAL de superar as dificuldades impostas pelo “meio social”.

Fico imaginando se este roteiro fosse escrito por um brasileiro. Teríamos, sem dúvida, todo um apelo social e a mensagem de ausência do governo. No filme de Muccino o governo aparece como um causador de “mal-estar social” (vide as multas e o imposto de renda). Deixando o sarcasmo de lado, é fato que a mobilidade social nos EUA é superior à brasileira. Ou seja, lá o indivíduo pobre tem maior capacidade de ascender socialmente. Estudos recentes classificam o Brasil como um país de baixa mobilidade, mesmo quando comparado com nações com o mesmo nível de desenvolvimento. Motivo? Um deles é a baixa escolaridade dos indivíduos e a transmissão deste “status” para os descendentes.

Confesso, não sou um fã de finais felizes, mas foi muito prazeroso ouvir a fala final:

“This part of my life...
…This little part …
Is called ‘happiness’”.

Ela é uma prova da capacidade individual de superar os limites.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Quem dá aos pobres empresta a Deus.

Vou postar uma versão preliminar do texto sobre ditados populares. Comentários serão muito bem vindos.

Quem dá aos pobres empresta a Deus

Quando não vou trabalhar pela manhã, acordo e vou direto ao computador. Leio e respondo alguns emails e visito minhas páginas favoritas. Entre elas encontra-se o blog do professor Adolfo Sachsida. Certo dia o post do blog foi desafiador. Adolfo convidava aos leitores: “que tal escrevermos um livro sobre economia e ditados populares?”. Esse convite foi tentador. Lembrei-me do livro organizado pelo professor Cláudio Shikida, que o Adolfo fez questão de citar (para a leitura da versão preliminar do texto, visite: http://shikida.net/).

Passei a tarde tentando encontrar um ditado, mas todos fugiram de minha cabeça. Ficava de “orelha em pé” buscando na fala das pessoas da rua, no ônibus, na conversa da cozinha de minha vizinha, algum ditado que me salvasse. Porém, meu cérebro foi esvaziado por completo. De repente me surgiu um, apenas um, mas veio bem a calhar: “Quem dá aos pobres empresta a Deus”. Pronto, o ditado está aqui. Mas como explicá-lo economicamente?

Para explicá-lo temos que dividi-lo em duas partes, pois esta frase, aparentemente simples, possui uma grande essência econômica. Primeiro, temos um processo de transferência de renda de uma pessoa, em média, mais rica, para um pobre. Isto ocorre no tempo t. Porém, o credor espera receber algo em troca em t+1. Note, não temos uma relação altruísta, logo o ditado se encaixa perfeitamente na filosofia individualista.

A segunda etapa trata exatamente da expectativa quanto ao tempo t+1. Ou seja, devemos destacar a crença no recebimento do valor investido. Nesta fase, Deus assume o papel de um fundo de investimentos. Isto posto, a primeira pergunta é: Por que devemos dar renda para os pobres?

Certa vez, no intervalo da primeira aula do curso de “Economia da Pobreza”, um amigo questionou: por que não estudar economia da riqueza? Ora, de certa forma, o que ela falou tem sentido. Precisamos de uma razão lógica para enfrentar tal empreitada. É preciso provar que é socialmente desejável transferir renda para os pobres. Não pretendo entrar nas discussões de Thomas Malthus e David Ricardo, não desejo ir tão longe. Prefiro ir até a década de 1970 quando Anthony Barnes Atkinson afirmou que a observação dos axiomas tradicionais da teoria da escolha sob incerteza acarreta em uma preferência coletiva pela igualdade (aversão à desigualdade). Em outras palavras, utilizando-se da estrutura microeconômica, pode-se afirmar que uma distribuição de renda mais equitativa, torna a sociedade mais “feliz”. Sendo assim, temos o nosso argumento formal.

Claro que para que isso seja verdade, será preciso uma série de condições, mas não quero complicar o modelo. Basta saber que, em última instância, a teoria da justiça do John Rawls virá nos socorrer. Portanto, conclui-se que dar renda para os pobres, além de politicamente correto, é uma ação fundamentada pela teoria microeconômica. Por fim, segue a segunda pergunta: Devemos gastar nosso dinheiro agora ou emprestar para Deus?

Nesta etapa entram os conhecimentos de escolha intertemporal. A primeira coisa que se pensa quando vamos emprestar algo é: será que vou receber? Pois bem, no caso de nossa frase, este pensamento envolve a nossa crença ou não em Deus. Logo, quem segue a risca este ditado deve ter algum nível de crença em sua existência. Pressupondo que ele exista então o ato de transferir renda é justificado pela expectativa de um bem-estar superior no futuro (capitalizado e usufruído na esfera do paraíso). Sendo assim, dar esmolas para os pobres nada mais é do que uma escolha de consumo intertemporal ótima, que, por sua vez, gerará um acréscimo de bem-estar social no tempo presente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

À Helga.


Este post é dedicado à Helga, por ela exercer tão bem o seu hobby. (foto da cidade de Bananeiras – PB)

domingo, 23 de setembro de 2007

Graduação em Economia.

O ensino de Economia na graduação tem de ser repensado com urgência. Regra geral, os alunos não são preparados para o mercado de trabalho. Há sempre quem diga que a economia é uma ciência que envolve relações filosóficas, históricas, sociais etc. Porém, este não é o perfil profissional que as empresas buscam. Após a defesa da minha tese, tive várias conversas a respeito deste tema. Cito dois diálogos. O Fernando Veloso brincou relatando a seguinte situação: a empresa chega para o economista e pede a solução para um problema. De imediato o economista fala: “vou ver o que o Keynes, na Teoria Geral, falou a respeito deste tema e depois resolvo”. Em um jantar na casa do Flávio Ziegelmann, o Marcelo Portugal alertou para este mesmo problema. O aluno de economia é capaz de falar sobre relações de demanda agregada, porém incapaz de estimar a demanda pelo produto de uma determinada empresa.

Em ambas as conversas a graduação do IBMEC foi colocada como um exemplo a ser seguido. Precisamos colocar este assunto em discussão com urgência, de preferência sem a dialética marxista, pois fica muito difícil distinguir o que é aparência e o que é essência.

sábado, 22 de setembro de 2007

Encontros.

Retornei a Natal, mas ainda estou meio fora de ritmo. Vivi uns dias de Hank Chaninski e hoje é o primeiro dia em que não estou bêbado desde a defesa (por enquanto). Falarei da tese depois. Fiquei feliz, pois tive mais dois artigos aceitos em congressos. Um na Sociedade Brasileira de Econometria (SBE) e o outro na Associação Nacional de Pós-graduação em Economia (ANPEC). Os congressos são legais, entretanto vale bem mais rever os amigos. Reencontrarei o Edilean, Paulo Jacinto, Firmino e o Márcio Laurini. Os papers são:

Mobilidade de Renda e Bem-estar Econômico no Brasil, SBE, com o Flávio Ziegelmann

Mudança na Distribuição de Renda Brasileira: Significância Estatística e Bem-estar Econômico, ANPEC, com o Flávio Ziegelmann

Os encontros ocorrerão em Recife no início de dezembro. Este ano consegui entrar em todas as ANPEC’s e o melhor: com trabalhos diferentes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Defesa da Tese.


A defesa foi tranqüila! As sugestões da banca foram válidas. Tenho que cumprir algumas formalidades, mas, no geral, isto é uma página virada. Na foto, temos eu o Marcelo Portugal e o Fernando Veloso.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Chegada.

Concordo com a ANAC, a crise aérea brasileira acabou! Cheguei a Porto Alegre exatamente na hora marcada em meu bilhete. Quero relatar mais uma coisa para contribuir com os estudiosos do assunto no Governo Federal: sou menor do que o Jobim (tenho 1,85 m), mas não me sinto à vontade na cadeira do avião. Logo, quero mais espaço.

Foi muito bom sentir o clima da madrugada de Porto Alegre. 15 graus, temperatura ideal para se viver. O taxista reclamou da derrota do Colorado. Pensei: estou de volta. Gosto de voltar a POA, tenho muita história espalhada por essa cidade. Hoje choveu o dia todo e acredito que amanhã também será assim.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ausência

Estou indo para Porto Alegre agora às 15:40 hs. Farei de tudo para postar alguma coisa de lá, porém não garanto. Retorno na sexta.

sábado, 15 de setembro de 2007

Bayesianos


Achei muito engraçado. Concorda com isso Laurini?

Freak out!


O diálogo entre um amigo e o Hank Dupea Chaninski me fez mexer em meus discos. O coitado do Hank implorou, mas não conseguia escutar a música que tocava durante o diálogo. Pois bem, tocava “Freak out!” do Frank Zappa e The Mothers of Invention (1966). São 06:59 da manhã, “Help I am a Rock” está ecoando na minha sala...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Koenker e o R

Chegamos a setembro e já estou cansado. Este ano está sendo bem produtivo. Tenho ainda uma tese para defender, e uma série de artigos, dela resultante, para submeter às revistas. Entretanto, paro por aqui, nada de novos papers. Vou me dedicar aos estudos. Sendo assim, coloco na pauta dois assuntos: regressões quantílicas e o software R. Nos próximos meses me envolverei apenas com isso (além das aulas na universidade, é claro!).

Na parte das regressões quantílicas, darei atenção aos textos do Roger Koenker que são, em sua maioria, bem complexos. Comprei alguns livros do R também. Enfim, isso me consumirá um bom tempo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Renan

E o Renan foi rezar...Ainda bem que meu Padim Pade Ciço num tá no céu, ou tá?

Lost City

Assisti, finalmente, “A cidade Perdida” (Lost City, The, 2005 – Andy Garcia). O filme trata da turbulência ocorrida em Havana na transição do governo de Fulgencio Batista para a ditadura de Fidel Castro e Ernesto 'Che' Guevara. A história gira em torno de Fico Fellove (Andy Garcia), um personagem que não nutre simpatia por nenhum dos lados. Seu único desejo é manter sua família unida. Trocando em miúdos, o governo de Fidel é tão ruim quanto o de Batista. O personagem de Bill Murray dá uma boa pitada de humor à trama. Quando um “general” Revolucionário diz “Marx falou, ‘A música é o ópio do povo’”, Murray rebate: “O Groucho ou o Karl?”. A trilha sonora é maravilhosa.

No entanto, quero destacar que a mensagem que me marcou foi a da importância da liberdade. Quando o objetivo de um homem, em meio a uma revolução, é proteger, única e exclusivamente, sua família, torna-se claro que o individual supera o coletivo. Não há como ter bem-estar social sem o respeito às liberdades individuais. É uma mensagem forte para uma América Latina cheia de filhotes de ditadores.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Xavier Sala-i-Martin

O Sala-i-Martin é um grande pesquisador. Entretanto, quem visita sua página pessoal descobre que ele possui um grande senso de humor.

http://www.columbia.edu/~xs23/Indexmuppet.htm

Gosto do "marxistas cliquem aqui". Que figura! (risos).

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Nascemos para morrer; no meio, jogamos xadrez.

Em um post do antigo Randon Walk (com “n”, putz, que falha!) eu ressaltei a morte do Ingmar Bergman. Comentei uma cena do “Sétimo Selo”, onde a personagem joga xadrez com a morte. Pois bem, andando pelo Orkut, descobri, na página de favoritos do Cristiano Gomes (que possui um Blog renomado e respeitado no meio virtual), um link da cena no Youtube. O Cristiano a classificou, muito bem, de “nascemos para morrer; no meio, jogamos xadrez”. Confiram.


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Hermes e Renato

Esta dublagem do Hermes e Renato ficou do caralho.

Tese.

Acabei de ser informado. Defendo minha tese no dia 19 de setembro em Porto Alegre. Tenho que aprontar minha ida. A banca será composta pelos professores:

Flávio Augusto Ziegelmann - Estatística da UFRGS (Orientador)
Marcelo Savino Portugal - Economia da UFRGS
Suzi Camey - Estatística da UFRGS
Fernando A. Veloso - Economia do IBMEC-Rio

Agora é pegar o avião... "Deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau!"