domingo, 30 de setembro de 2007

Mobilidade Social Igual a UM.

O filme “À procura da felicidade” (Gabriele Muccino) retrata bem uma situação de mobilidade social. Em resumo, Chris Gardner (Will Smith) sai da extrema pobreza, para o topo da distribuição de renda. Como? A partir da superação das dificuldades. Usando quais armas? A capacidade INDIVIDUAL de superar as dificuldades impostas pelo “meio social”.

Fico imaginando se este roteiro fosse escrito por um brasileiro. Teríamos, sem dúvida, todo um apelo social e a mensagem de ausência do governo. No filme de Muccino o governo aparece como um causador de “mal-estar social” (vide as multas e o imposto de renda). Deixando o sarcasmo de lado, é fato que a mobilidade social nos EUA é superior à brasileira. Ou seja, lá o indivíduo pobre tem maior capacidade de ascender socialmente. Estudos recentes classificam o Brasil como um país de baixa mobilidade, mesmo quando comparado com nações com o mesmo nível de desenvolvimento. Motivo? Um deles é a baixa escolaridade dos indivíduos e a transmissão deste “status” para os descendentes.

Confesso, não sou um fã de finais felizes, mas foi muito prazeroso ouvir a fala final:

“This part of my life...
…This little part …
Is called ‘happiness’”.

Ela é uma prova da capacidade individual de superar os limites.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Quem dá aos pobres empresta a Deus.

Vou postar uma versão preliminar do texto sobre ditados populares. Comentários serão muito bem vindos.

Quem dá aos pobres empresta a Deus

Quando não vou trabalhar pela manhã, acordo e vou direto ao computador. Leio e respondo alguns emails e visito minhas páginas favoritas. Entre elas encontra-se o blog do professor Adolfo Sachsida. Certo dia o post do blog foi desafiador. Adolfo convidava aos leitores: “que tal escrevermos um livro sobre economia e ditados populares?”. Esse convite foi tentador. Lembrei-me do livro organizado pelo professor Cláudio Shikida, que o Adolfo fez questão de citar (para a leitura da versão preliminar do texto, visite: http://shikida.net/).

Passei a tarde tentando encontrar um ditado, mas todos fugiram de minha cabeça. Ficava de “orelha em pé” buscando na fala das pessoas da rua, no ônibus, na conversa da cozinha de minha vizinha, algum ditado que me salvasse. Porém, meu cérebro foi esvaziado por completo. De repente me surgiu um, apenas um, mas veio bem a calhar: “Quem dá aos pobres empresta a Deus”. Pronto, o ditado está aqui. Mas como explicá-lo economicamente?

Para explicá-lo temos que dividi-lo em duas partes, pois esta frase, aparentemente simples, possui uma grande essência econômica. Primeiro, temos um processo de transferência de renda de uma pessoa, em média, mais rica, para um pobre. Isto ocorre no tempo t. Porém, o credor espera receber algo em troca em t+1. Note, não temos uma relação altruísta, logo o ditado se encaixa perfeitamente na filosofia individualista.

A segunda etapa trata exatamente da expectativa quanto ao tempo t+1. Ou seja, devemos destacar a crença no recebimento do valor investido. Nesta fase, Deus assume o papel de um fundo de investimentos. Isto posto, a primeira pergunta é: Por que devemos dar renda para os pobres?

Certa vez, no intervalo da primeira aula do curso de “Economia da Pobreza”, um amigo questionou: por que não estudar economia da riqueza? Ora, de certa forma, o que ela falou tem sentido. Precisamos de uma razão lógica para enfrentar tal empreitada. É preciso provar que é socialmente desejável transferir renda para os pobres. Não pretendo entrar nas discussões de Thomas Malthus e David Ricardo, não desejo ir tão longe. Prefiro ir até a década de 1970 quando Anthony Barnes Atkinson afirmou que a observação dos axiomas tradicionais da teoria da escolha sob incerteza acarreta em uma preferência coletiva pela igualdade (aversão à desigualdade). Em outras palavras, utilizando-se da estrutura microeconômica, pode-se afirmar que uma distribuição de renda mais equitativa, torna a sociedade mais “feliz”. Sendo assim, temos o nosso argumento formal.

Claro que para que isso seja verdade, será preciso uma série de condições, mas não quero complicar o modelo. Basta saber que, em última instância, a teoria da justiça do John Rawls virá nos socorrer. Portanto, conclui-se que dar renda para os pobres, além de politicamente correto, é uma ação fundamentada pela teoria microeconômica. Por fim, segue a segunda pergunta: Devemos gastar nosso dinheiro agora ou emprestar para Deus?

Nesta etapa entram os conhecimentos de escolha intertemporal. A primeira coisa que se pensa quando vamos emprestar algo é: será que vou receber? Pois bem, no caso de nossa frase, este pensamento envolve a nossa crença ou não em Deus. Logo, quem segue a risca este ditado deve ter algum nível de crença em sua existência. Pressupondo que ele exista então o ato de transferir renda é justificado pela expectativa de um bem-estar superior no futuro (capitalizado e usufruído na esfera do paraíso). Sendo assim, dar esmolas para os pobres nada mais é do que uma escolha de consumo intertemporal ótima, que, por sua vez, gerará um acréscimo de bem-estar social no tempo presente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

À Helga.


Este post é dedicado à Helga, por ela exercer tão bem o seu hobby. (foto da cidade de Bananeiras – PB)

domingo, 23 de setembro de 2007

Graduação em Economia.

O ensino de Economia na graduação tem de ser repensado com urgência. Regra geral, os alunos não são preparados para o mercado de trabalho. Há sempre quem diga que a economia é uma ciência que envolve relações filosóficas, históricas, sociais etc. Porém, este não é o perfil profissional que as empresas buscam. Após a defesa da minha tese, tive várias conversas a respeito deste tema. Cito dois diálogos. O Fernando Veloso brincou relatando a seguinte situação: a empresa chega para o economista e pede a solução para um problema. De imediato o economista fala: “vou ver o que o Keynes, na Teoria Geral, falou a respeito deste tema e depois resolvo”. Em um jantar na casa do Flávio Ziegelmann, o Marcelo Portugal alertou para este mesmo problema. O aluno de economia é capaz de falar sobre relações de demanda agregada, porém incapaz de estimar a demanda pelo produto de uma determinada empresa.

Em ambas as conversas a graduação do IBMEC foi colocada como um exemplo a ser seguido. Precisamos colocar este assunto em discussão com urgência, de preferência sem a dialética marxista, pois fica muito difícil distinguir o que é aparência e o que é essência.

sábado, 22 de setembro de 2007

Encontros.

Retornei a Natal, mas ainda estou meio fora de ritmo. Vivi uns dias de Hank Chaninski e hoje é o primeiro dia em que não estou bêbado desde a defesa (por enquanto). Falarei da tese depois. Fiquei feliz, pois tive mais dois artigos aceitos em congressos. Um na Sociedade Brasileira de Econometria (SBE) e o outro na Associação Nacional de Pós-graduação em Economia (ANPEC). Os congressos são legais, entretanto vale bem mais rever os amigos. Reencontrarei o Edilean, Paulo Jacinto, Firmino e o Márcio Laurini. Os papers são:

Mobilidade de Renda e Bem-estar Econômico no Brasil, SBE, com o Flávio Ziegelmann

Mudança na Distribuição de Renda Brasileira: Significância Estatística e Bem-estar Econômico, ANPEC, com o Flávio Ziegelmann

Os encontros ocorrerão em Recife no início de dezembro. Este ano consegui entrar em todas as ANPEC’s e o melhor: com trabalhos diferentes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Defesa da Tese.


A defesa foi tranqüila! As sugestões da banca foram válidas. Tenho que cumprir algumas formalidades, mas, no geral, isto é uma página virada. Na foto, temos eu o Marcelo Portugal e o Fernando Veloso.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Chegada.

Concordo com a ANAC, a crise aérea brasileira acabou! Cheguei a Porto Alegre exatamente na hora marcada em meu bilhete. Quero relatar mais uma coisa para contribuir com os estudiosos do assunto no Governo Federal: sou menor do que o Jobim (tenho 1,85 m), mas não me sinto à vontade na cadeira do avião. Logo, quero mais espaço.

Foi muito bom sentir o clima da madrugada de Porto Alegre. 15 graus, temperatura ideal para se viver. O taxista reclamou da derrota do Colorado. Pensei: estou de volta. Gosto de voltar a POA, tenho muita história espalhada por essa cidade. Hoje choveu o dia todo e acredito que amanhã também será assim.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ausência

Estou indo para Porto Alegre agora às 15:40 hs. Farei de tudo para postar alguma coisa de lá, porém não garanto. Retorno na sexta.

sábado, 15 de setembro de 2007

Bayesianos


Achei muito engraçado. Concorda com isso Laurini?

Freak out!


O diálogo entre um amigo e o Hank Dupea Chaninski me fez mexer em meus discos. O coitado do Hank implorou, mas não conseguia escutar a música que tocava durante o diálogo. Pois bem, tocava “Freak out!” do Frank Zappa e The Mothers of Invention (1966). São 06:59 da manhã, “Help I am a Rock” está ecoando na minha sala...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Koenker e o R

Chegamos a setembro e já estou cansado. Este ano está sendo bem produtivo. Tenho ainda uma tese para defender, e uma série de artigos, dela resultante, para submeter às revistas. Entretanto, paro por aqui, nada de novos papers. Vou me dedicar aos estudos. Sendo assim, coloco na pauta dois assuntos: regressões quantílicas e o software R. Nos próximos meses me envolverei apenas com isso (além das aulas na universidade, é claro!).

Na parte das regressões quantílicas, darei atenção aos textos do Roger Koenker que são, em sua maioria, bem complexos. Comprei alguns livros do R também. Enfim, isso me consumirá um bom tempo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Renan

E o Renan foi rezar...Ainda bem que meu Padim Pade Ciço num tá no céu, ou tá?

Lost City

Assisti, finalmente, “A cidade Perdida” (Lost City, The, 2005 – Andy Garcia). O filme trata da turbulência ocorrida em Havana na transição do governo de Fulgencio Batista para a ditadura de Fidel Castro e Ernesto 'Che' Guevara. A história gira em torno de Fico Fellove (Andy Garcia), um personagem que não nutre simpatia por nenhum dos lados. Seu único desejo é manter sua família unida. Trocando em miúdos, o governo de Fidel é tão ruim quanto o de Batista. O personagem de Bill Murray dá uma boa pitada de humor à trama. Quando um “general” Revolucionário diz “Marx falou, ‘A música é o ópio do povo’”, Murray rebate: “O Groucho ou o Karl?”. A trilha sonora é maravilhosa.

No entanto, quero destacar que a mensagem que me marcou foi a da importância da liberdade. Quando o objetivo de um homem, em meio a uma revolução, é proteger, única e exclusivamente, sua família, torna-se claro que o individual supera o coletivo. Não há como ter bem-estar social sem o respeito às liberdades individuais. É uma mensagem forte para uma América Latina cheia de filhotes de ditadores.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Xavier Sala-i-Martin

O Sala-i-Martin é um grande pesquisador. Entretanto, quem visita sua página pessoal descobre que ele possui um grande senso de humor.

http://www.columbia.edu/~xs23/Indexmuppet.htm

Gosto do "marxistas cliquem aqui". Que figura! (risos).

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Nascemos para morrer; no meio, jogamos xadrez.

Em um post do antigo Randon Walk (com “n”, putz, que falha!) eu ressaltei a morte do Ingmar Bergman. Comentei uma cena do “Sétimo Selo”, onde a personagem joga xadrez com a morte. Pois bem, andando pelo Orkut, descobri, na página de favoritos do Cristiano Gomes (que possui um Blog renomado e respeitado no meio virtual), um link da cena no Youtube. O Cristiano a classificou, muito bem, de “nascemos para morrer; no meio, jogamos xadrez”. Confiram.


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Hermes e Renato

Esta dublagem do Hermes e Renato ficou do caralho.

Tese.

Acabei de ser informado. Defendo minha tese no dia 19 de setembro em Porto Alegre. Tenho que aprontar minha ida. A banca será composta pelos professores:

Flávio Augusto Ziegelmann - Estatística da UFRGS (Orientador)
Marcelo Savino Portugal - Economia da UFRGS
Suzi Camey - Estatística da UFRGS
Fernando A. Veloso - Economia do IBMEC-Rio

Agora é pegar o avião... "Deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau!"