domingo, 23 de setembro de 2007

Graduação em Economia.

O ensino de Economia na graduação tem de ser repensado com urgência. Regra geral, os alunos não são preparados para o mercado de trabalho. Há sempre quem diga que a economia é uma ciência que envolve relações filosóficas, históricas, sociais etc. Porém, este não é o perfil profissional que as empresas buscam. Após a defesa da minha tese, tive várias conversas a respeito deste tema. Cito dois diálogos. O Fernando Veloso brincou relatando a seguinte situação: a empresa chega para o economista e pede a solução para um problema. De imediato o economista fala: “vou ver o que o Keynes, na Teoria Geral, falou a respeito deste tema e depois resolvo”. Em um jantar na casa do Flávio Ziegelmann, o Marcelo Portugal alertou para este mesmo problema. O aluno de economia é capaz de falar sobre relações de demanda agregada, porém incapaz de estimar a demanda pelo produto de uma determinada empresa.

Em ambas as conversas a graduação do IBMEC foi colocada como um exemplo a ser seguido. Precisamos colocar este assunto em discussão com urgência, de preferência sem a dialética marxista, pois fica muito difícil distinguir o que é aparência e o que é essência.

2 comentários:

Chanis disse...

Durante os dias de graduação, frequentei um departamento de economia que tentou mudar pra melhor. Havia um grupo muito bom de professores que queria fazer um curso modelo. Eles cobravam dos alunos e as mudanças começaram a dar resultados: poucos alunos dedicados do departamento arriscavam a prova da ANPEC e conseguiam bons departamentos para o mestrado. Contudo, eram poucos os estudantes que se importavam e podiam: a maioria ralava pra pagar a mensalidade e pouco se lixava. Faltava incentivo para dedicar. Ninguém tinha o dia isponível como os alunos do Ibmec. Lá, boa maioria tem vida fácil e não precisa pagar mensalidade e aqueles bons, mas que não coseguem dinheiro, acho que ganham bolsa. Mesma coisa acontece na PUCRIO pelo que sei. Precisa ter incentivo da universidade para o negócio dar certo. Caso contrário, você pode ter um puta corpo docente como a PUCMG na década de 90 e dar em nada. Foi assim porque vi muita gente boa que precisava ralar pra pagar a mensalidade e quando conseguiam monitorias pra darem, dispensavam porque não cobria a mensalidade. Diploma para fazer concurso, arrumar um emprego qualquer ou simplesmente, cursar algo para permanecer no atual emprego foram os fatores dos alunos implodirem o curso da PUC. Isso foi na década de 90 e aconteceu na PUCMG. Não sei como lá está hoje. Vieram os professores antigos e totalmente distantes da real ciência economia e avacalharam a reforma com força. Os alunos ficaram satisfeitos por causa da facilidade que o curso ficou e assim morreu um departamento promissor. Logo, dada a experiência da PUCMG durante a década de 90, não sei se é tão fácil assim a tarefa visando um curso digno de economia. Parte do corpo docente era foda, mas existiam os antigos e boa parte dos alunoa queria vida fácil ou, simplesmente, não podia se dedicar. Bom, mas quem sou eu pra falar: acabei me especializando numa area totalmente diferente e mandando o mestrado para bem longe.

Erik Figueiredo disse...

Cristiano,
Seu comentário é muito importante. É muito difícil mudar essa bagaça toda. A Unicamp forma 14 doutores por ano, a maioria em História Econômica. Eles estão espalhados pelo Brasil e querem manter seus empregos. Temos que começar a contestar isso. A experiência que você relatou é um pouco desanimadora, mas temos que continuar tentanto mudar.
Abraços,