segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Cidadão Kane.

Assisti “Cidadão Kane” no domingo (Citizen Kane, Orson Welles, 1941). Acredito que para se ter noção da importância deste filme, devemos nos transportar para a década de quarenta, pois o roteiro, a maquiagem e os demais aspectos técnicos não impressionam, dada a nossa contaminação pelo cinema moderno. Porém, tudo foi inovador para a época. Não tenho conhecimento sobre aspectos técnicos, neste ponto o Cristiano é o mestre.

No geral, gostei do que vi. Um clássico. Um diretor (ator) corajoso. Uma história que vale a pena ser estudada. Falo não só da história contada no filme, mas tudo que a cercou. Parece-me que o Orson Welles, buscando retratar um grande magnata da época, acabou escrevendo sua própria biografia. Ascensão e decadência. Tudo bem, o contexto é bem diferente, mas a trajetória é a mesma.

Um comentário:

Chanis disse...

O filme soa moderno até hoje. São sete os filmes que realmente realmente revolucionaram o cinema. Engraçado que se não fosse pela inovação, tres deles deveriam ser banidos para sempre: Birth of Nation (um filme racista que inventou o cinema), Bronenosets Potyomkin (um filme comunista que inventou a montagem),
Triumph des Willens (um filme nazista que inventou o cinema propaganda). Curioso como as inovações na linguagem vieram do pior do ser humano. Agora, os outros quatro - Kane, Tron, À bout de souffle e La Règle du jeu - não. Esses fizeram sem nenhum compromisso. No caso de Kane, até complicou a vida do Welles porque o filme é baseado num magnata da mídia. Seja como for, Kane é foda e as três grandes inovações dele são o roteiro não linear, o conceito de falso documentário e a super composição dos planos. Tron inovou por causa da computação gráfica (o filme em si é uma merda), À bout de souffle - um filme, na minha opinião, muito superestimado - introduziu o jump cut e La Règle du jeu inovou ao introduzir a profundidade de campo. De todos os que mudaram a linguagem, sou fã do Kane e do Régle du jeu. Os outros são apenas casos de estudo para entender a evolução do cinema.

Nota: não é a decadência do Welles visto que ele ainda faria algumas obras primas. Ver Marca da Maldade, O Processo e seus três filmes baseados em Shakespeare.