sábado, 27 de outubro de 2007

Mobilidade e desigualdade de renda.

Estou começando a enveredar em uma discussão sobre desigualdade de renda e igualdade de oportunidades. De acordo com esta literatura, baseada em princípios de teoria da justiça, a desigualdade só seria um problema se dois indivíduos tivessem conjuntos de oportunidades diferenciados. Ou seja, se partiram de uma dotação inicial diferente. Neste contexto, a mobilidade intergeracional (ou seja, o efeito familiar. Exemplo: o quanto da renda do pai é transmitida para o filho) toma lugar de destaque, pois ela denota O ESFORÇO INDIVIDUAL. Exemplifico novamente: se o pai é pobre e o filho consegue migrar para os estratos superiores de renda, isso indica que o filho se esforçou, pois mesmo partindo de uma dotação baixa, conseguiu subir na vida (vide o filme “À procura da felicidade”).

Entretanto, esta literatura pode trazer conclusões “perigosas”, do tipo: temos que colocar todas as pessoas no mesmo patamar, pois a desigualdade de oportunidades gera mal-estar social. Aí teríamos argumentos em favor de cotas, bolsas família e similares. Estou lendo, mas com muito cuidado. Em breve vou lançar alguns resultados para a economia brasileira. Em suma, nós, eu e o Flávio Ziegelmann, estamos usando estatística não-paramétrica e a metodologia de obtenção das rendas de pais e filhos contida em Sérgio Ferreira & Fernando Veloso (2006). Intergeneracional mobility of wages in Brazil. Brazilian Review of Econometrics, v. 26, n. 2, 2006. Inclusive, a atenção deles com relação às nossas dúvidas é uma coisa bem louvável. Lembrando: este artigo ganhou o prêmio Adriano Romariz Duarte da BRE em 2006.

Aproveitando o embalo, eu e os professores Jorge Mariano e Luciano Sampaio, estamos elaborando um estudo sobre mobilidade rural no Nordeste. Resultados em breve.

Um comentário:

Chanis disse...

Eis um estudo que gostaria de ler quando completado!