segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Barry Lyndon by Cristiano Gomes

O Cristiano comenta a parte técnica do filme Barry Lyndon (Kubrick, 1974):

"Barry Lyndon é um grande avanço tecnológico. A cena em que o pessoal se reúne a luz de velas não usou luz artificial. O filme todo é feito com iluminação natural. Kubrick só usou rebatedores em algumas passagens. O resultado é o que vemos na tela. Entretanto, é na cena da luz de velas onde o avanço é notado. Ela demandou a construção de uma câmera própria e a lente é a mesma que a NASA usa para fotografar do espaço. Também existe a questão de composição que o Kubrick faz em Zoom que é loucura. Serve para demonstrar que vemos uma pintura e que a narrativa arrancará algo dela. Todo filme é montado neste principio impossível de executar salvo se há domínio técnico por completo.

O que mais impressiona é que a produção usou película de 35 mm para as belas imagens. Seria relativamente mais fácil, mas não menos trabalhoso, se eles tivessem filmado em 70mm. O único filme que se assemelha a Barry Lyndon na qualidade da fotografia – uma fita antológica chamada Dias do Paraíso – foi fotografado em tal processo. Completo o raciocínio dizendo que ambos os filmes consumiram dois anos de filmagens e isto demonstra a dificuldade da captação das imagens. Filmar ao entardecer sem luz artificial é trabalho para poucos. Lembre-se: o processo é película e não digital.

Logo, não há controle total do que fotografamos e a palheta de cores é bem diferente. Se você olhar nas fotos de meu orkut, existe um exemplo claro do que digo. Agora, se você quiser acompanhar como é a evolução da fotografia digital, veja Miami Vice: tecnicamente, um avanço monstruoso dado a qualidade de imagem. Entretanto, sempre preferirei – embora o custo seja muito superior e a captação mais difícil – a fotografia analógica: os motivos são exatamente Barry Lyndon e Dias do Paraíso."

As fotos que o Cristiano se refere estão logo abaixo. A primeira é digital, a segunda película:



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