domingo, 25 de novembro de 2007

Cleópatra, de Júlio Bressane.

O filme deve ser horrível, o público vaiou, chamou de perturbador, difícil... mas o que mais me chamou a atenção foi o seguinte comentário: não deveria ter sido feito com dinheiro público. Matou a pau o cidadão. (cliquem aqui).

11 comentários:

Chanis disse...

Olha, os filmes do Bressane não são ruins. São fitas de baixo orçamento e o tipo de cinema exercído pelo cara é o famoso cinema feito, exclusivamente, para atender os departamentos de letras e comunicação da vida. Logo, se o espectador não for de tal, fica difícil entender seus filmes. Concordo que dinheiro público pro Bressane é algo imoral, assim como pra qualquer filme brazuca. Entretanto, no caso do Bressane, a coisa é mais complicada porque são filmes experimentais e, poxa, filme experimental só serve para matar as dúvidas do realizador. Pegue, por exemplo, o novo do David Lynch, Inland Empire: o filme é uma merda de três horas totalmente sem sentido que serviu apenas para ele aprender a filmar em camera digital caseira. Bom, mas ao contrário daqui, lá ele fez com dinheiro do proprio bolso. Seja como for, os filmes do Bressane não são ruins. Somente acho que dada a facilidade tecnologica atual, dá para rodar suas fitas que ninguém verá mesmo fora dos festivais (logo, retorno zero) em formato digital com dinheiro do proprio bolso. Contudo, o pessoal da area de letras e comunicação são bem engraçados: eles criticam a injustiça social, mas quando chega na hora deles, são incapazes de deixar Paris, vinho caro e mamata estatal. Logo, dinheiro publico pra malandro promover sua dita arte.

Anônimo disse...

Fiquei impressionada com a ignorância cultural do autor do blog e o autor da postagem acima. Lamento que este post provalvelmente será logo deletado, pela crítica a opinião de vocês. Sou produtora cultural e cinematográfica e gostaria de dizer que vocês não conhecem o cinema do Bressane, vocês não tem idéia da contribuição cultural que um artista como ele traz ao nosso país. O cinema dele é difícil porque o povo só está acostumado a assistir novela da Globo ou filmes que mantenham a mesma estrutura, bem fácil de digerir, que não fazem ninguém pensar, ninguém faz um mínimo esforço de reflexão depois que o filme acaba e em meia hora todos já esqueceram do que viram.
Quem vê um filme do Bressane não esquece do que viu. A complexidade de suas imagens contribuem imensamente para a construção de uma narrativa cinematográfica BRASILEIRA e não para uma cópia do cinema de Hollywood. Esse tipo de filme DEVE SIM, ser feito com dinheiro público, já que empresas multinacionais só estão interassadas em patrocinar filmes fáceis, vazios de conteúdo e que só lucram através da mediocridade da população. Lamento vocês não entenderem nada disso.
Paula

paula disse...

Fiquei impressionada com a ignorância cultural do autor do blog e o autor da postagem acima. Lamento que este post provalvelmente será logo deletado, pela crítica a opinião de vocês. Vocês não conhecem o cinema do Bressane, vocês não tem idéia da contribuição cultural que um artista como ele traz ao nosso país. O cinema dele é difícil porque o povo só está acostumado a assistir novela da Globo ou filmes que mantenham a mesma estrutura, bem fácil de digerir, que não faz ninguém pensar, ninguém faz um mínimo esforço de reflexão depois que o filme acaba e em meia hora todos já esqueceram do que viram.
Quem vê um filme do Bressane não esquece do que viu. A complexidade de suas imagens contribuem imensamente para a construção de uma narrativa cinematográfica BRASILEIRA e não para uma cópia do cinema de Hollywood. Esse tipo de filme DEVE SIM, ser feito com dinheiro público, já que empresas multinacionais só estão interassadas em patrocinar filmes fáceis, vazios de conteúdo e que só lucram através da mediocridade da população. Sou produtora cultural, sei o quanto é dificil trabalhar com cultura no Brasil e lamento vocês não entenderem nada disso.
Paula

Erik Figueiredo disse...

Como pôde ver Paula, sua opinião foi publicada. Embora discorde dela. Saudações.

Anônimo disse...

Grata pelo espaço Erik.
Espero ter contribuido de alguma maneira, esses filmes não são difíceis, nós é que estamos mal-acostumados.

!!!

Nara disse...

Não posso dizer muito sobre a obra de bressane,mas assisti seu último filme,Cleópatra,e achei horrível,quase uma ofensa mesmo,e olha que eu gosto de filmes experimentais,mas este é muito ruim!

Thiago disse...

Bressane seria o menor dos artistas se dirigisse seus filmes a, como disse o companheiro acima, "departamentos de comunicação e letras". O artista que se limita ao acadêmico deveria desistir do ofício e preparar logo sua tese. Bressane, como qualquer artista de verdade, se remete aos homens.

A quantas anda a compreensão dos mesmos é que são elas. O que não se pode é utilizar essa falta de leitura, essa percepção embotada do brasileiro médio (cada vez mais cretinizado, inclusive pela decadência da nossa crítica cultural e por suas crescentes relaçoes de puro consumo)para não reconhecer as imensas questões poéticas, estéticas e sobretudo políticas, sempre conjuntamente levantadas por Bressane.

Um cineasta que, já bem o disse aqui nossa amiga, muito, mas muito fez por nossa cartografia cultural, tornou-nos mais independentes artisticamente, mais consciêntes das possibilidades culturais de nossa terra. Não fosse ele e Sganrzela, por exemplo, nossa melhor tradição cinematográfica seria exclusivamente caudatária do cinema novo: e o resto que se bastasse, como sempre, em pastiches europeizados ou holywoodianos.

Bressane foi, desde sempre, um marginal entre nossos cineastas. Marginal por fundar sua própria seara, por não pactuar com nossa "corte cultural", que se dementiza no chamado cinema sociológico, pálido e demagogo. Por outro lado, nunca flertou com o cinemão publicitário, o cinemão maneirista que não permite a força aguda de um olhar poético, de ruptura com totens estabelecidos em nossa sociedade, e que se convertem em questões estéticas. Sempre quis, e conseguiu, pensar mais abrangentemente, submetendo sua arte a debates maiores, onde o existencial e o político se conjugam.

Cleopátra não é diferente. Como não o é sua fonte originária,"Antönio Cleópatra", de Shakespeare, que salvo um ou outro comentário de Bressane, está toda ali no filme. Fábula, aliás, bastante direta, sob o esvaziamento espiritual da Civilização Ocidental, segmentada em 3 momentos: sedução pelas forças desconhecidas de um mundo "atrasado materialmente" (Cesar), desprezo por esse legado espiritual em detrimento da mistura erótica das forças (Marco Antönio), e, por fim, capitulação da civilização mais "fraca" belicamente (Otavio). Metáfora clara de toda forma de colonialismo e de sua inerente cretinização espiritual (e o espiritual para Bressane, como para a maioria dos povos antigos, claro, inclui a sabedoria ilimitada do corpo).
O imediatismo fálico-beligerante do Ocidente em contraponto às nuances transcendentes, mágicas, do feminino "exótico". Não à toa, o Egito, no filme, é o Brasil, com seu mar e suas palmeiras, como civilização remota capitulada.

Negar a Bressane o direito de fazer filmes com dinheiro público, é caso de se perguntar que tipo de modelo cultural se deseja no país, em benefício de que cinema, em sacrifício de que artista?
Sinto, mas não quero meu dinheiro, como cidadão, utilizado em adaptações para a grande tela de uma linguagem a la Falabella (escolhido como Cesar, aqui por pura e direta provocação do diretor).

Quero, sim, novas perspectivas culturais para o país, e Bressane está cumprindo a sua parte. Se o público não a recebe, o problema lhe transcende totalmente, passa a ser de todos nós.

Anônimo disse...

Caro Erik.
Independente da qualidade do filme (ou não), não acha que é meio leviano de sua parte dizer que o filme deve ser horrível sem ter visto? Só porque o público vaiou?
Quando assisti Dogville, a sessão iniciou com cerca de 50 pessoas na sala. Terminou com 5. Literalmente. E Dogville é um filme fantástico.

~Se alguém tem que ganhar dinheiro público para fazer filme, eu acho que são exatamente as pessoas cujo filme NÃO possuem apelo comercial. Acho absurdo Xuxa ter dinheiro público em seus filmes. OU a Globo Filmes. Eles não precisam de suporte estatal.

Enfim... cuidado com suas afirmações, e boa sorte.

Valdson disse...

Cleópatra é um filme magnético e Negrini está absolutamente fantástica na pela desta grande e perturbadora figura da história mundial. O filme é chocante,as vezes beira o surrealismo. Há momentos que acho que estou vendo uma fita do Linch, outras vezes do Fellini, outras vezes Bressane puro. Enfim, o filme causa repulsa pelo fato de muitos não se dedicarem cerebralmente ao seu entendimento, o que é compreensível no Brasil. Ninguém é obrigado a gostar de Cleópatra, mas não reconhecer nele qualidades artísticas é de uma ignorância atroz.
Outro fato é a questão da realização do filme ter diso possível com o dinheiro público. Oras, não vejo mal nisso. Concordo com o post acima que diz que filmes como os da Xuxa ou da Globo Filmes é que não deverima lançar mão de benefíco estatal para tal finalidade. O que deve ser questionável é como este dinheiro é distribuído, pois há muita gente boa e talentosa pelo país a fora com igual ou maior capacidade de realizar um grande filme, assim como Bressane o fez.
Além disso,é pouco comum este tipo de filme ser realizado em terras brasileiras, abordando figuras histórica mundias.
O filme me conquistou. É fantástico!!

Anônimo disse...

Thiago, lúcido comentário.
Erik e Chanis....é tudo justamente o contrário..comentário simplório e pouco informado os seus...dinheiro público para quem? filmes que se pagam e dão retorno?? retorno para quem?? para os produtores que já na produção lucraram alguns milhões limpos..do dinheiro público. depois ainda ganham na bilheteria e vendas uma grana que vai para o bolso deles. O dinheiro público é justamente para ser usado em obras que estimulem as faculdades intelectuais das pessoas e que de outra forma não seriam feitas, pois não são comerciais. É assim no mundo inteiro..nenhum pais sustenta a industria, pode fomentar por um tempo para criá-la, mas aqui o fomento fiscal já dura algumas décadas para a industria e segundo dito pelo próprio barretão "deveria ficar até o ano de 3018"
Essa sua pouco informada posição é a mesma coisa que vc defender que um livro do Paulo Coelho deve ser publicado e custeado com dinheiro do Minc, pois vende e dá retorno, e um livro sobre algo muito específico na filosofia não..já que só deverá vender mil cópias.
Nos filmes do Julio caso vc não saiba, o dinheiro é completamente empregado nas produções, no Cleópatra mesmo ele não recebeu um único centavo por dirigí-lo. Ao contrário de outros diretores, que vc deve louvá-los, e que fazem filmes de 6 / 8 milhões de R$, já na largada embolsam 20% limpos (agenciamento e captação) + o cachê de diretor e o retorno posterior de bilheteria e DVD's...Grande negócio! para eles, pagamos e depois temos que engolir filmes que basta ligar a TV e vemos nas novelas coisas melhores!

Louis disse...

Desculpem-me os intelectuais de plantão, mas chamar esse Cleópatra de "filme" é demais...gastar dinheiro público com isso?...sinceramente, por mais "cabeça" que seja, não é um filme sério...contaram quantas cenas não dizem nada, absolutamente nada?...são dezenas de imagens de poças d'água, de pedaços de pano, de atores parados um olhando pro outro sem dizer nada...pra quê?...pra vc parar e pensar "putz, que cena legal, vamos interagir e pensar no que esse diretor quer dizer com isso"...algumas cenas são totalmente desnecessárias, feitas claramente somente para "chocar" o público e dizer "eu faço diferente"...gosto de filmes experimentais, de filmes "diferentes" que saiam do padrão Hollywood da vida, mas esse é demais...fiquei com a impressão que é um belo exemplo de como ganhar dinheiro público fácil...
Vejo que aqui tem muitos fãs do diretor, mas sejam menos parciais e vejam o que é pra ser visto...o filme é MUITO, MAS MUITO RUIM!!!...
Por mais experimental que seja, certamente se faz coisa muito melhor com uma câmera na mão...
Pelo menos deviam ter a dignidade de colocar na apresentação do filme "ESTE É UM FILME EXPERIMENTAL, NÃO ASSISTA SE VOCÊ NÃO FOR "CABEÇA"".
Fala sério...:-)