quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A Clockwork Orange by Cristiano Gomes.

Recentemente o Cristiano Gomes me deu uma aula de cinema ao comentar o filme “Laranja Mecânica” do Stanley Kubrick (A Clockwork Orange, 1971). Sinto-me na obrigação de dividir este conhecimento com os leitores deste blog. A primeira pergunta que fiz foi relacionada à qualidade da fotografia, eis a resposta:

“As imagens são boas porque antes de tudo, Stanley Kubrick foi um dos maiores fotógrafos que o mundo já conheceu. O cara já era um dos grandes fotógrafos mundiais quando tinha 17 anos. Ele sabia iluminar e sempre modificava as câmeras para filmar. O ápice é o filme posterior a Laranja chamado Barry Lyndon. No caso de Laranja Mecânica, ele usou, pasme, uma Arrifelx 35mm da segunda guerra com grande angular. Também filmou muito nas chamadas horas mágicas: por do sol e amanhecer. É um processo difícil e penoso porque requer conhecimento técnico. Não sei direito lhe informar qual tipo exato de negativo usado. Ele fotografou tudo em 35mm e não estourou o negativo. Isso é tudo que sei do processo.”

Em seguida questionei sobre os efeitos do plano principal do filme, que segundo ele privilegiam o personagem central da trama, ele então escreveu:

“Sobre o plano principal, na cena onde a velha morre, tente reparar nos quadros do cenário e depois, na hora em que o objeto fálico bate nela, veja em câmera lenta as animações. Todo principio de mensagem subliminar é demonstrado de forma clara e o filme trabalha com isso durante toda sua projeção. É a seqüência onde fica mais clara a questão de composição para o propósito que ele queria no filme. Regra básica de cinema: sempre um detalhe no plano geral entrega a cena.”

Resta-nos rever o filme. Obrigado Cristiano!

Um comentário:

Chanis disse...

Primeiramente, obrigado pela citação.

Duas outra coisa que esqueci de dizer:

- Kubrick filmou muito contra a luz mas cenas internas deste filme. Em quase todo plano, existe uma lampada que bate diretamente na lente da camera. Logo, o diafragma está mais fechado que usual. Caso contrário, a imagem estouraria.
- Repare nas imagens quando o personagem está sob lavagem cerebral: elas não possuem pequenas distorções de campo. Nesta que é a segunda parte do filme, o diretor não usou a grande angular. Nas demais partes, a lente grande angular é usada e gera distorçoes significativas na profundidade campo. O motivo é um: Alex De Large ve o mundo distorcido. Tal argumento é sustentando na singela composição que há no traje de druggie: uma sombrancelha postiça e um olho na manga direita da blusa. Logo, o diretor usou a pior da lentes para filmar (minto: em Barry Lyndon ele foi alem e filmou muita coisa com Zoom), apenas para compor o olhar do narrador da história.