domingo, 18 de novembro de 2007

Nosso Mundo.

É engraçado como os heterodoxos, em especial, os pós-keynesianos elaboram suas críticas à teoria ortodoxa. Freqüentemente eles a classificam de abstrata e não condizente com a realidade. Entretanto, uma construção teórica não necessita de uma total correspondência com a “realidade”, certo? Pois bem, vou citar uma incoerência pós-keynesiana, praticada pelo professor Gilberto Tadeu de Lima:

Mesmo reconhecendo que qualquer formulação teórica não é um retrato fiel da realidade, os pós-keynesianos rejeitam os modelos de equilíbrio geral por estes abstraírem os aspectos que primordialmente caracterizam as economias do mundo real, a saber, a irreversibilidade do tempo histórico, a inexorável incerteza que cerca o futuro e, em função disso, o estratégico papel desempenhado pela moeda.”

No entanto, mais à frente (Lima, 1992, p. 107) o autor esqueceu da observação de que “qualquer formulação teórica não é um retrato fiel da realidade”, e, ao conceituar a economia monetária, afirmou:

Em um mundo – nosso mundo– onde a incerteza que recobre o devir é algo inescapável, a moeda assume um papel essencial no processo capitalista de tomada de decisão, funcionando como a defesa mais segura contra as conseqüências negativas associadas à irreversibilidade do tempo histórico” (Grifo meu).

Como vêem, a coerência nem sempre está presente nestes estudos.

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LIMA, Gilberto Tadeu de. Em busca do tempo perdido: a recuperação pós-keynesiana da economia do emprego de Keynes. Rio de Janeiro: BNDES, 1992.

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