sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Transposição do Rio São Francisco

O Don Cappio abandonou sua greve de fome. Porém, o que ele desejava com isso? Respondo, ele queria que a transposição do Rio São Francisco fosse discutida de forma racional. Lamento Don Cappio isso não é mais possível! Por quê? Porque o projeto já foi aprovado no congresso, ou seja, não há o que debater. Porém, embora isso seja um fato, quero colocar algumas questões. Adianto, elas serão contra o projeto de transposição. Sou sertanejo, conheço de perto a realidade, mas vou de encontro ao senso comum. Vejamos alguns tópicos. Vamos deixar de fora a questão do desperdício de dinheiro público, quero me deter em um ponto: o problema do nordeste é água? A resposta é NÃO! Em primeiro lugar, caso existisse, o problema da água seria do semi-árido, cerca de 80% do Nordeste. Porém, se isso é verdade, por que na zona da mata nordestina, rica em precipitação pluviométrica, o homem do campo vive em condições piores do que no semi-árido? Primeira dúvida. Outro ponto, os que entendem do assunto dizem que água, por si só, não resolve o problema do semi-árido, pois a terra dessa região não reage bem a projetos de irrigação. Surge então outra dúvida.

A relação de trabalho no sertão ainda é pautada em aspectos bem primitivos, tipo: meeiros. Ou seja, caso seja implementado um choque de produtividade, quem garante que o produto será direcionado ao pequeno produtor, ou morador? Normalmente, a questão da seca tem sido tratada por meio de políticas “keynesianas” (tipo, frentes de emergência), isso é um ataque à dignidade do sertanejo. Ele precisa de qualificação para saber lidar com a terra e com os problemas dela decorrentes. Vamos debater isso de uma forma mais séria? Poxa, Don Cappio, isso não é mais possível!

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