segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

DEVEMOS SIM, pagar pelos caprichos alheios

Ao abrir o email hoje vi um comentário que, acredito, propiciará uma boa lição de economia. Ele não é relacionado à teoria econômica e sim ao cinema, mas dá pra extrapolar. Em resumo, uma senhora (senhorita) de nome Paula, apontou para minha “ignorância cultural” e, por tabela, insultou o Cristiano (foi mal Cris). Motivo: ela discordou de nosso comentário em relação ao filme do Júlio Bressane (vejam o post e os comentários completos, aqui).

Não quero entrar no mérito ou não do filme (aliás, não devia tê-lo chamado de horrível, pois este não era o objetivo do post). Destaco apensas duas frases da Paula:

Lamento que este post provalvelmente (sic) será logo deletado, pela crítica a opinião de vocês

Quem vê um filme do Bressane não esquece do que viu. A complexidade de suas imagens contribuem imensamente para a construção de uma narrativa cinematográfica BRASILEIRA e não para uma cópia do cinema de Hollywood. Esse tipo de filme DEVE SIM, ser feito com dinheiro público, já que empresas multinacionais só estão interassadas (sic) em patrocinar filmes fáceis, vazios de conteúdo e que só lucram através da mediocridade da população. Lamento vocês não entenderem nada disso.

A primeira frase é típica do pessoal autoritário, com tendência esquerdista. Eles acham que uma opinião, por ser divergente, não será “mostrada”. Ora, sou um liberal e prezo pela liberdade de idéias. Será que é tão difícil para eles entenderem isso? A segunda frase, mais longa, é outro clichê esquerdista. Quem definiu a obra do Bressane como complexa e socialmente desejável a ponto de ser financiada pela sociedade?

Esta falácia é bem mais grave, pois eles acreditam que DEVEMOS SIM, nos submeter a determinados comportamentos e caprichos, DEVEMOS SIM, implantar programas assistencialistas (inclusive para a classe artística) e o pior: DEVEMOS SIM, pagar por tudo isso. Com base em quê? Na crença dos intelectuais (burros, como diz o Diogo Mainardi) de que isso é o melhor para a sociedade.

2 comentários:

Cris disse...

Erik, esquenta a cabeça com leitor tosco. Dá corda pra essa gente nao. Pessoal de humanas não sabe brincar.

João Melo disse...

Erik, sou favorável que o governo gaste nosso dinheiro onde falta ação do setor privado. Investindo no cinema de A ou B, qual o retorno que eu tenho? Se o filme é bom, com certeza as filas rentabilizarão seu produtor, sem necessidade de colocar o seu, o meu, o nosso $$$ no bolso de cineastas que podem ser até classe A ou AA, mas que não agregam ao resultado. Além do que, tenho lido que existem certos produtores e cineastas que recebem muito muito $$$ dinheiro para fazer um filme e depois, suas prestações de contas não fecham, sendo até questionados pela Justiça.
Conheço de nome o Bressane, mas não recordo que eu tenha visto algum de seus filmes. Evidente que poderei assistir, sem nenhum preconceito pela origem dos recursos. Afinal, gosto de bons filmes. Indicações serão bem recebidas. Abraço,direto da floresta, João Melo