quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Músicas...

A cena final do filme “O quarto do filho” (La stanza del figlio, Nanni Moretti, 2001) é, por si só, muito triste. Porém, esta tristeza é aprofundada pela música de fundo: “By this river”, do Brian Eno.

Ao lembrar da solidão passada por essa seqüência, em especial, pelo som do Brian, pensei em escrever sobre músicas tristes. Muitas surgiram em minha mente. Contudo, nenhuma delas é tão introspectiva quanto “If” do Pink Floyd. Esta composição do Roger Waters pode ser encontrada no clássico do rock progressivo “Atom Heart Mother”, 1970.

Pois bem, todo este “pano de fundo” serve apenas para indicar um som meio depressivo. Trata-se de “Superstar” na versão do Sonic Youth. Lembro-me de meu amigo João Lira me indicando um disco do Sonic a uns 8 anos atrás. No entanto, a indicação veio com um aviso: “você pode não estar preparado para ouvir isso”. E não estava. Achei esquisito demais. O Sonic é uma banda de Nova York com um som pra lá de alternativo. Deixo-os com a música em questão.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

The Kinks

Apresento uma das música da trilha sonora de Juno. The Kinks, A Well Respected Man:



O Kinks tem um som muito agradável. Aliás, ao contrário do que eu esperava, Juno levou a estatueta de melhor roteiro.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Juno

Acabei de assistir Juno (Jason Reitman, 2007) e confesso que gostei bastante. A Ellen Page está muito bem. Me diverti com o filme. Outro ponto de destaque é a trilha sonora com Sonic Youth, The Kinks, Belle & Sebastian, Velvet Underground e por aí vai. Provavelmente a fita não levará nenhum prêmio no Oscar, mas não deixem de dar uma conferida.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Programas sociais

O Adolfo Sachsida levantou alguns argumentos contrários ao Programa Bolsa Família. Sendo assim, gostaria de deixar minha opinião. Porém, para que isso ocorra os leitores deverão desprendam-se de alguns conceitos pré-estabelecidos. Para tanto, faço a seguinte pergunta: quem garante que estes programas promovem um aumento do bem-estar social?

Respondo: apenas uma investigação empírica séria é capaz de dar este certificado de garantia. O grande problema dos gestores de política pública é que eles admitem à existência de uma “verdade” e, com base nesta crença, tomam suas decisões. Um exemplo claro é o da política do salário mínimo. O efeito desta estratégia é ambíguo e constitui um importante ponto de discussão na literatura mundial. Contudo, os policy makers assumem que o aumento do salário mínimo gerará ganhos sociais e, simplesmente, o implementam.

No caso dos programas sociais acredito que um estudo apropriado deve observar o impacto desta estratégia sobre toda a sociedade e não só sobre os grupos beneficiados pelas transferências. Uma dica de pesquisa é fornecida pelos professores Amos Golan, Jeffrey Perloff e Ximing Wu. Vale a pena dar uma conferida.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Enquanto isso, no lado escuro da Selva...

No início do semestre alguns alunos do ensino superior demonstram seu lado mais primitivo. Como se já não bastasse fazer isso durante todo ano, a partir de seus desempenhos nas disciplinas. Pois bem, não sou contra as pessoas agirem feito animais, cada um faz o que quer. Entretanto, quando este comportamento “respinga” nos outros, surge um problema.

Aqui na UFRN, assim como na maioria das universidades da selva, o trote é uma regra.
Os alunos são pintados, amarrados, forçados a ir para os sinais de trânsito pedir dinheiro e assim por diante. O pior de tudo, a maioria dos calouros acha tudo muito bonito. E este mecanismo de deslumbramento perpetua o ritual.

Na verdade, pouco me importa se vão raspar as cabeças dos calouros, mergulhá-los em uma piscina de ácido ou arrancar pedaços de seus cérebros. Porém, isso tem de respeitar duas regras: a) que eles concordem com isso (como, de fato, ocorre) e; b) que o processo não atrapalhe as pessoas que estão de fora.

Contudo, não obstante a babaquice, a última condição não é respeitada. Minhas aulas, por exemplo, são sempre interrompidas pelos gritos dos corredores. Os departamentos e a reitoria não fazem nada para coibir os abusos. Quero apenas dar minha aula, sem interrupções.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

MANIFESTO DA ECONOMETRIA POLÍTICA

Reproduzo aqui o genial manifesto da econometria política:


"Cesse tudo o que a antiga musa canta
Que um valor mais alto se alevanta

Nós, os econometristas políticos, em nome da honra de nossa profissão (seja lá o que isto for), vêm por meio deste MANIFESTO demonstrar nosso repúdio aos métodos quantitativos burgueses, neoclássicos, ortodoxos, tradicionais, estáticos e reacionários (vide M. POÇÇAS, 1988, pág. 24) e resgatar os valores político-sociais-morais-ideológicos-dialéticos-culturais-dinâmicos-e-acumulativos-de-capital: o caso brasileiro (vide M.C. TAVARICH, 1988, pág. 24) que hoje se põem como a única alternativa viável à feudalização da Econometria Brasileira (vide L.C. BELEZZA, Anais do XXIV Congresso do PE do B, 1988, pág. 24). Propomos uma nova formulação crítica da Econometria Política fundamentada nos princípios que se seguem:

1. Por que, de maneira autoritária, se impõe E(u) = 0? Isto é uma forma afintosa de camuflar a apropriação do excedente da clafe trabalhadora. Por que não 12% ao ano? (a este respeito vide F. GASPARIAN, 1988, Paz & Terra, pág. 24);
2. Por que o erro é denotado por “u” e não “e”? Isto é mais um artífifio para confundir a clafe trabalhadora (vide W. BARELLI, 1988, pág. 24);
3. Quem, afinal, define porque o estimador é justo? A justeza do estimador só pode ser definida após uma ampla discussão democrática com a clafe trabalhadora (vide P. A. SAMPAIO JR., 1988, pág. 24);
4. A lógica totalitária da Econometria Neoclássica impõe que os coeficientes sejam ou positivos ou negativos. Por que não coeficientes dialétricos, positivos e negativos ao mesmo tempo? (vide J. C. BRAGA, 1988, pág. 24);
5. Por que utilizar variáveis quantitativas quando as relações essenciais de produção são qualitativas? Sem embargo (vide C. FURTADO, 1988, pág. 24), propomos a utilização apenas de variáveis dummy (vide LESSA DE QUEIROZ, 1988, pág. 24);
6. Por que utilizar séries de tempo lógico (não veja G. SCHWARTZ, 1988, pág. 24), quando o correto é utilizar séries de tempo histórico (agora sim, vide G. SCHWARTZ, 1988, pág. 24)

Dadas as inconsistências não-contraditórias, imorais, totalitárias e estáticas, entre a realidade dinâmica e a Econometria Neoclássica, propomos aqui o programa de pesquisa da Econometria Política:

1. Aceitar e questionar a existência do Erro Tipo III: admitir que esteja errado quando não está certo. (vide, p. ex., DON JOÃO MANUEL, In: O Capitalismo Retardado, passim.);
2. Consertar a curva de demanda quebrada, que a Econometria Neoclássica permitiu, por mais de cinqüenta anos, que permanecesse no mais hediondo abandono, apesar dos esforços do companheiro Sweezy (vide OLIVEIRA DE CHICO, 1988, pág, 24);
3. Mudar a sede das simulações de Monte Carlo para Cubatão (SP) (conf. proposta de RUHYM AFFONSO, In: Por que eu sou marxista-quercista-leninista?);
4. Substituir as equações de diferença por equações de igualdade, de forma a não reproduzir a estrutura social injusta do capitalismo monopolista-maduro-caindo-aos-pedaços-e-retardado (vide P.T.P.L.S. – porque é de menor – no seu famoso compêndio Isto é uma mierrrrda; ou Lo que Cuércia realmente quiso decir, Edições BADESP, 1988, pág. 24);
5. Substituir os métodos de regressão linear, de cunho claramente monetarista e recessivo (vide Wilson TUBOS & CONEXÕES, 1988, pág. 24), pela progressão não linear em retrocesso (vide F. MASUQQELLI, A esculhambação em processo, 1988, pág. 24);
6. Trocar os nomes de heterocedasticidade, homocedasticidade, homossexualidade (SMITH, KEYNES & quiçá RICARDO, 1988, pág. 24) e multicolinearidade por nomes mais simples, como joão, manuel, cardoso, dimello (vide D. MUNOZ, Pobremas da infração brasileiras e brasileiros, 1988, pág. 24);
7. Substituir os índices de Laspeyres e Paasche pelo índice do DIEESE (vide P. BAU’TAR, 1988, pág. 24);
8. Criar, como pólo de debate nacional, a REVISTA DE ECONOMETRIA POLÍTICA, destarte (vide FURTADO, 1988, pág. 24), a ser editada pela Ed. Motta & Conexão Brasiliense (ligada a futura Universidade Federal Tecnológica de Tocantins – UFETOCAN – a 88 mil quilômetros e 24 metros de São Paulo, a partir da Sé), cujo Conselho Editorial será formado por Brecha Pereira, Brecha Pereira, Brecha Pereira, Brecha Pereira, Brecha Pereira, Brecha Pereira, Nukano e Brecha Pereira

TODO PODER EMANA DO POVO, DE JOÃO, DE MANUEL, DE CARDOSO E DE MELLO

Campinas, primavera florida de 1988"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

South Park


Adoro o South Park. Neste desenho animado, o humor negro impera. Eles pegam no pé de todo mundo, de Jesus ao diabo, passando por Saddam Hussein. O Eric Cartman (meu quase xará, e modelo da foto), lidera a turma de sacanas. Um dos personagens, o Timmy, é deficiente físico. O legal é que as outras crianças sacaneiam com ele do mesmo jeito que fazem com qualquer um. Uma mensagem bacana!

Paper sobre mobilidade

Estava pronto, agora não está mais. Resolvi testar diversas prioris no processo de estimação das matrizes de transição. Inicialmente, assumi que a matriz que inicia o processo de otimização só permite que o indivíduo migre para o estrato de renda imediatamente inferior ou superior a cada ano. Esta estrutura é conhecida como 3-band. Contudo, resolvi testar uma alternativa auto-regressiva proposta por:

Tauchen, G. (1986) Finite state Markov-chain approximation to univariate and vector
autoregressions. Economics Letters 20, 177-181.

Os resultados preliminares não apontam mudanças significativas, o que me deixa mais confortável, dado que a priori assume papel relevante na otimização. Logo, o que estava quase no ponto para submissão, vai ter que esperar mais. Outras estruturas foram observadas, mas não vou detalhá-las no paper.

The Breeders

Poxa, muito simpático o som do The Breeders. O grupo, formado em 1988, como um projeto paralelo da Kim Deal (então baixista do Pixies), laçou seu primeiro LP, Pop, em 1990. E é justamente esse disco que estou escutando.

Livro


Consegui comprar "Matadouro 5" do Kurt Vonnegut. Li uma boa parte na reunião de departamento de hoje.

Márcio Laurini

Valeu Márcio, amigo é pra isso mesmo (risos). Amanhã eu vou comprá-los.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Paper

Meu artigo sobre mobilidade de renda intrageracional está em fase de refinamento. Quero submetê-lo o mais breve possível. O que fiz foi desagregar os resultados que eu já havia encontrado. Ou seja, analisei subgrupos populacionais. Em suma, os negros tendem a se movimentar para a parte de baixo da distribuição. Com os brancos o movimento é inverso. A análise por Coorte indica que os mais jovens possuem um movimento para o topo da distribuição. Outro resultado óbvio é que quanto maior o nível educacional maior a mobilidade. Entretanto, a análise regional surpreendeu. Não há uma diferença relevante entre a mobilidade do Sudeste e a do Nordeste, por exemplo. Ou seja, embora exista todo um apelo referente à desigualdade regional, não se pode afirmar o mesmo para a dinâmica pessoal da renda.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Pronunciamento presidencial

Em seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, o presidente Molusco enfatizou a entrada em uma nova era para a educação. Segundo ele, um tempo de democratização do ensino. Tudo isso baseado no mérito e não no berço. Sinceramente não entendi. Haverá uma democratização do mérito ou um aumento no tamanho do berço?

Este discurso está pautado na idéia de que o tempo, a habilidade e a capacidade são os mesmos para todos. Logo, o caminho natural é a universidade.

Sabemos que este argumento é falacioso. Nem todos precisam do ensino superior. Alternativas, tais como cursos técnicos, devem ser implementadas. O Brasil não necessita de desempregados com diplomas de cursos superiores pendurados na parede.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Domingo



Hoje foi um dia proveitoso. Fechei, finalmente, a primeira versão do paper sobre mobilidade intrageracional (resumirei os resultados aqui, em breve). No final da tarde fui à livraria e comprei dois livros: “O amor é um cão dos diabos” do Charles Bukowski (Não resisti, dentro do ônibus já li umas 30 páginas) e “O último teorema de Fermat” do Simon Singh. Na verdade, buscava o “Matadouro 5” do Kurt Vonnegut (indicação do Laurini, como uma leitura inicial do Kurt), porém não o encontrei.




Cheguei a pouco e coloquei John Coltrane para tocar. O disco de hoje é “A Love supreme”, 1964. Acredito que os deuses, quando não estão ouvindo Mozart, escutam este som.

Filme

Acabei de assistir Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, Stanley Kubrick, 1957).

O filme conta a história do desdobramento de uma batalha na pirmeira guerra mundial.

No papel principal, Kirk Douglas.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Miles


O disco do sábado a noite é "Kind of Blue" do Miles Davis. Laurini resumiu bem agora pelo Messenger: "Classico!".

Recomendo a música "All blues".

Radio AM

Sou viciado em radio AM. Desde pequeno, por influência de minha avó paterna (que, aliás, me viciou em café também), dormia escutando. Morava no interior da Paraíba e depois das 22:00 hs conseguia sintonizar a rádio Globo do RJ. Tenho uma vaga lembrança da Turma da Maré Mansa. Depois, veio o Panorama Esportivo. Era legal ouvir o noticiário do “Globo no ar” (meia noite em ponto, novo dia chegando).

Anos depois, já em Porto Alegre, conheci a Radio Gaúcha. Passava as madrugadas ouvindo o Jayme Copstein. Às vezes acordava cedo para ouvir o “Gaúcha Hoje”. E por aí vai. Ainda hoje, quando estou na fase de acordar muito cedo, ligo o PC para ouvir estes programas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Jesus and Mary Chain

Jesus and Mary Chain. Não gosto de clipes, mas não achei nada ao vivo. Ou melhor, não achei um bom video da minha música preferida: Cracking Up.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A filha do Molusco

Alguém já ouviu falar da senhora Lurian Cordeiro Silva? Eu, infelizmente, já. Lurian é jornalista, tem 28 anos e possui segurança particular. Para se ter uma idéia do padrão de vida da senhora Lurian, seu segurança gastou R$ 61.300,00 em menos de um ano, só no cartão de crédito. As compras são diversas e vão desde supermercados, livrarias, lojas de material de construção e autopeças. Bacana não? (vejam aqui)


Então vocês devem me perguntar: e daí, o que você tem a ver com a vida dela? Bem, a princípio nada, desde que eu não seja obrigado a pagar por estas faturas.

Lurian é filha do presidente Lula e estes gastos foram realizados com o famoso cartão coorporativo. Ele mesmo, o que compra tudo, menos o que o dinheiro não compra: vergonha na cara. Será que ela seria mais um membro ingênuo da família Silva?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Samba

Sem dúvida, a melhor escola de samba deste ano foi a Unidos do C... a quatro.

Isolamento

Certo dia, o Malvadão soltou a seguite pérola:

"O bom de ficar velho é que as pessoas não falam mais com você."

Pois bem, nada mais sábio (risos).

Tirando os exageros de lado, é muito bom se isolar de vez em quando. Eu mesmo tenho um mecanismo infalível: meu MP4. Depois que o coloco, o mundo se fecha. É muito melhor do que escutar bobagens nos pontos de ônibus, nas praças ou afins.

As pessoas estão se tornando, a cada dia, mais intragáveis e, no caso de nosso país, selvagens. O que fazer então? Bem, não sei ao certo, mas por enquanto busco me isolar um pouco.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Galo

Um sol de rachar. A mesma música tocando (...o carnaval começa no galo da madrugada...). Uma caminhada sem fim. Mesmo assim, essa conjunção de coisas desfavoráveis consegue arrastar quase dois milhões de foliões.

Sei que sou meio amargo, mas gosto disso! Esse pessoal não tem nada melhor pra fazer não? Tipo, praticar um suicídio coletivo?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O universo numa casca de noz

Li "O universo numa casca de noz", do Stephen Hawking em um fólego. O que não entendi direito, pulei. Mesmo assim, é interessante como a física teórica consegue ser mais atraente e intrigante do que qualquer ficção.

Imagine


Em uma das chamadas para um debate sobre religião, no qual participaria o Richad Dawkins, a TV inglesa mostrou uma foto panorâmica de Nova Iorque. Com o "Imagine" do John Lennon como trilha sonora, uma frase surgia: "Imagine o mundo sem religiões". (Na música o John fala "Imagine there's no countries/ It isn't hard to do/ Nothing to kill or die for/ And no religion too").

Pois bem, com o auxílio da foto, vocês conseguem ver por que isso seria bom?