sábado, 19 de abril de 2008

"Mensagem aos jovens economistas"

Hoje resolvi reler um capítulo do livro "O longo amanhecer" de Celso Furtado. O texto em questão se chama "Mensagem aos jovens economistas". Pois bem, meu conterrâneo incia o texto falando das dificuldades enfrentadas no sertão da Paraíba (quase um velho Oeste) e assim vai ... (Detalhe: ele fala mal de meu Padim Pade Ciço, coisa feia Furtado).

Deixando as brincadeiras de lado, o texto possui algumas pérolas. O autor pergunta: "Por que o Brasil acumula tanto atraso?". Destacando que outros países como a Argentina, o Chile e o México estavam tão à frente. E mais, dentro do próprio país existe uma diferença regional tão expressiva, como pode isso? Ora, será que o Celso nunca ouviu falar de capital humano? Enfim, para ele a questão reside em nossa "vocação industrial não aproveitada". Aí ele rasga o o verbo defendendo a industria infante. Novamente nenhuma palavra relacionada a educação. Hoje sabemos como foi desastrosa a estratégia de investir em tal indústria, negligenciando o investimento em capital humano.

Ele continua, só que agora em seu foco preferido: a SUDENE. Oh, como foi boa a SUDENE. Como foi bacana os rios de dinheiro público jogados no ralo. Notem, o Estado tem que ser grande. Grande não, enorme, só assim que se pode solucionar os problemas sociais.

Segundo Celso, seu esforço desenvolvimentista foi atrapalhado por vários adversários, entre eles Argemiro de Figueiredo, então Senador paraibano. Segundo ele, Kubitschek, que sempre o apoiou, deu acesso aos arquivos da polícia federal, logo: "pude então conhecer as sandices que os serviços secretos arquivavam sobre alguém". Notem, esse lance de dossiê é bem comum. Me surpreende como um intelectual fala com tanta naturalidade sobre isso. Para essa gente, os fins, realmente, justificam os meios. Uma mensagem linda para a sociedade.

Em seguida a globalização é pintada como o demônio que impede do Brasil elaborar uma "política" (essa parte eu não entendi). Aí o papo vai continuando, sempre com os argumentos dos heterodoxos de porta de cadeia...

Pois bem, relendo isso depois de anos, posso garantir que a verdadeira mensagem aos novos economistas é: leiam o que Furtado escreveu, achem engraçado e tomem um caminho oposto.

Nenhum comentário: