domingo, 10 de agosto de 2008

Leiam, por favor

Reproduzo o comentário do Márcio Laurini (mais um publicado aqui):

Matemática para economistas
Gustibus aborda o problema do ensino capenga de matemática nos cursos de economia. Bom, é óbvio que aqui no Brasil o problema é pior. Além do problema da doutrinação, heterodoxia , etc temos o problema da formação básica em matemática, que é , usando uma palavra polida, um lixo aqui no Brasil. E tende a piorar, já que o currículo básico é cada vez mais entupido de outras coisas. Não dá para comparar a formação em matemática brasileira com países como Rússia, China, Polônia, etc (nisso temos que dar o braço a torcer para os países ex-socialistas). Mesmo em boa parte dos nossos vizinhos da américa latina o ensino de matemática é muito melhor. Como exemplo só lembrar a lista de excelentes matemáticos e estatísticos latino-americanos.

As necessidades matemáticas em atuais economia são muito mais sofisticadas, o que é um elogio a ciência econômica. Um sinal de maturidade. Mas a formação básica está longe do ideal. Como um exemplo é fácil notar que basicamente todas as inovações em finanças matemáticas (como por exemplo o Libor Market Model, o problema de consistência em modelos de juros, todas as recentes provas da existência de não-arbitragem para processos fora da família de semi-martingales) são feitas por matemáticos , e em geral por matemáticos não-americanos ou ingleses.
Quando decidi fazer o doutorado na Estatística, o objetivo básico era melhora minha formação em probabilidade e inferência. Uma decisão que acho cada vez mais absolutamente correta. (embora cada vez mais eu veja o quanto falta para aprender). Neste semestre estou assistindo um curso do doutorado em matemática, e é absolutamente brutal o quanto os alunos da matemática são melhores.

PS - Aposto que em vários lugares neste instante algumas pessoas continuarão a afirmar que não se deve usar matemática em economia, o velho papinho heterodoxo. Será que estas pessoas não cansam do mesmo discurso ? e não enjoam de estudar sempre os mesmos textos ? Será que no fundo não sentem falta de aprender alguma coisa nova ? Isso sinceramente me espanta.

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