O portal G1 acaba de divulgar a seguinte notícia:
Brasileiro ganha 15% a mais a cada ano de estudo, diz pesquisa da FGVE mais,
A cada ano estudado, o brasileiro ganha 15% a mais de salário. Essa é a conclusão da pesquisa Você e o Mercado de Trabalho, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada nesta quinta-feira (9) no Rio de Janeiro, com base nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.
Os números mudam relativamente dependendo da etapa escolar. De acordo com o pesquisador Marcelo Neri, uma pessoa que nunca estudou tem, em média, uma taxa de ocupação no mercado de trabalho de 59%. Os dados apontam para 90% para pessoas com 18 anos de estudo, que inclui trabalhadores com mestrado e doutorado.
Não vi a pesquisa do Marcelo, não sei qual o método empregado, nem a robustez de seus resultados. Contudo, no que tange o retorno da escolaridade ele não traz muita novidade. No início da década de 1990 Lam e Schoeni (1994) [Journal of Political Economy, v. 101, 1993] calcularam um retorno da educação em torno de 0.14, utilizando variáveis instrumentais. Isso para os dados da PNAD de 1982.
Usando dados de 1992 a 1999 (cross e pooling) e o método de Heckman (entre outros), Sachsida, Loureiro e Mendonça (2004) [Revista Brasileira de Economia, 58(2):249-265] chegaram a um parâmetro médio em torno de 0.16 (difícil sintetizar tudo em um só parâmetro, dado o grande exercício metodológico dos autores). Eles ainda concluíram que os retornos em escolaridade parecem variar com o nível de escolaridade do indivíduo.
Em um estudo em andamento, utilizando uma abordagem quantílica robusta frente a má especificação da conditional quantile function (CQF), Eu, Luciano Sampaio e Paulo Jacinto chegamos a resultados próximos aos 0.15 do Marcelo Neri.
Enfim, embora a mensagem do texto jornalístico seja correta, a literatura especializada já tinha (e continua) estabelecido(cendo) esse parâmetro.