quinta-feira, 11 de junho de 2009

Questionamento forte

A mobilidade social é definida e mensurada de diversas formas na literatura especializada. Os sociólogos costumam considerá-la como a transição entre classes de ocupações e/ou estratos sociais. Já os economistas focam suas atenções nas dimensões renda e educação, analisando às suas transmissões entre as gerações, em geral de pai para filho.

O curioso dessa separação é que o Brasil apresenta, ao mesmo tempo, uma baixa mobilidade de salários e educação e uma alta mobilidade ocupacional. Ou seja, pouca mobilidade econômica e elevada mobilidade social. Os meus cálculos para a mobilidade educacional (o quanto a educação do pai é transmitida para o filho) apontam para o parâmetro em torno de 0.80 (calculado por MQO sem variáveis de controle – Quanto mais próximo de UM menos móvel é a sociedade). Já a mobilidade ocupacional é de 0.37 (também por MQO sem variáveis de controle).

Ainda tenho muito a especular em relação a isso, mas me parece que não há uma relação forte entre educação e setor de ocupação. Grosso modo, se meu pai tem nível superior os resultados indicam que eu devo ter um nível superior. Dado que meu pai tem o nível superior, ele deveria ocupar uma categoria de ocupação “alta” (intensiva em capital humano). Conseguintemente, eu ocuparia uma classe próxima a dele, o que não ocorre, de acordo com os dados.

Preciso pensar mais a respeito disso. Logo, a pergunta que ocupará minha mente nos próximos dias é: por que a mobilidade social é diferente da mobilidade econômica?

Nenhum comentário: