terça-feira, 8 de setembro de 2009

Torcer ou não

O Mauro Cezar Pereira levanta uma questão interessante: "Ninguém é mais, ou menos, brasileiro por torcer, ou não, pela seleção da CBF". Destaco:

Quando começa uma corrida de Fórmula 1, você torce para que os principais adversários dos pilotos brasileiros batam e saiam da prova? E neste período de eliminatórias em fase decisiva, "seca" os maiores rivais da seleção da CBF?

Cada um tem o direito de torcer por quem bem entender, e obviamente "secar" os rivais mais odiados. É natural que brasileiros se divirtam com fiascos argentinos, e vice-versa. Mas como diria certo repórter, "me inclua fora dessa".


Este post remete a uma discussão antiga: as pessoas devem, necessariamente, torcer para as equipes locais? Ou seja, os paraibanos são obrigados a vibrar com o Auto-esporte, Treze, Campinense, Atlético de Cajazeiras (meu time de coração) ou Nacional de Patos? A resposta é: NÃO!

E isso pode ser estendido a diversas áreas. Por exemplo, por ser sertanejo devo ouvir forró e amar esse estilo musical? Seria um crime ouvir Jazz e admirar as obras de Coltrane e Miles?

As pessoas possuem preferências como características primitivas e estas preferências incidem sobre um conjunto de opções (bens, músicas ou times de futebol). Lembro-me de minha infância em Conceição (interior da Paraíba). Após as 19:00 hs a rádio Globo do Rio de Janeiro possuía um sinal límpido, como se estivéssemos em Copacabana (sacanagens a parte). Contudo, os jornais locais e as rádios da capital do Estado, ou de Campina Grande nem apareciam em nosso dial. Sem contar a televisão que, sem a programação local, transmitia os jornais do Rio e de São Paulo. Diante disso, como posso condenar um garoto da cidade por ele torcer para o Vasco da Gama?

A propósito, na Copa do Mundo de futebol de 1990 torci pela Holanda de Marco van Basten e Ruud Gullit. Em 1994 torci por Romário e Bebeto. Em 1998 estava bêbado demais para torcer por alguém. Em 2002 torci contra o Felipão. Em 2006 vibrei com o Henry. Já em 2010 ... Daqui pra lá eu largo esse vício chamado futebol.

2 comentários:

Cleiton disse...

Difícil comparar coisas tão diferentes. Ouvir e gostar do Elvis Presley é uma coisa. Grosso modo você não "perde" quase nada em comparação a quem mora em Memphis. As músicas que estão disponíveis lá são as que estão disponíveis aqui. No caso dos clubes de futebol é diferente. Se você estiver em Conceição/PB, não poderá exercer, a rigor, a função de torcedor do Flamengo, já que não acompanha o dia-a-dia do clube, não vai aos treinos, tampouco aos jogos. Ou seja, você na verdade seria um simpatizante ou algo do tipo, torcedor propriamente dito, não, inclusive porque de nenhuma forma serás capaz de influenciar o resultado dos jogos(salvo casos indiretos e extremos como sócio-torcedor que paga uma mensalidade e etc.). Torcedor é aquele que vai ao estádio, aos treinos, e particida da vida do clube. Isso só é possível se você estiver perto. Claro que não se deve condenar quem torce pra time de "fora", mas ele deve admitir as limitações. Quem torce pra times de fora geralmente é quem não frequenta muito o estádio (alguns diriam o contrário). Se frequentassem, perceberiam a diferença e provavelmente escolheriam um time da casa.

Escrevi pra cacete.
Abraços,

Anônimo disse...

Fala Érik!! Tudo ok?? Pois é, como bom flamenguista concordo com você!! Minha opinião é que isso é fruto de ideologia impregnada no cérebro pouco utilizado das pessoas. Lá em Recife tem uma tal de "pernambucanidade"...se o cara torcer para o sport (engraçado como eles pronunciam essa palavra) fica sendo "mais pernambucano" que o outro que torce para o Flamengo...hehe.. pode isso?? Mesmo que ele saia do jogo e vá quebrar a cidade, destruir os ônibus, mijar na rua.. mesmo assim ele é considerado "mais pernambucano". Acho que é justo mesmo... eu sou é flamenguista!

Abraços
Fábio Rodrigo / UFRN