sábado, 12 de dezembro de 2009

O mundo vai derreter em 100 anos!

Quem estuda séries temporais sabe dos problemas relacionados à previsão. De certa forma, o Diogo Mainardi resume bem este problema na sua coluna na Veja (AQUI). Este trecho vai direto ao ponto:

Eu sei que, antes de ontem, os meteorologistas de O Globo calcularam que a temperatura mínima no Rio de Janeiro, ontem, chegaria a 22 graus. Na realidade, ela foi de 20,6 graus. Se os meteorologistas de O Globo, de um dia para o outro, cometem um erro desse tamanho, como posso confiar em seus prognósticos para 2050 ou, pior ainda, para 2100? Só esse erro de cálculo - de 1,4 grau - já seria suficiente para submergir os atóis de Tuvalu, na Polinésia.


Já falei sobre os ECOchatos e suas teorias do fim do mundo. Não estou negando à existência de impactos sobre o meio-ambiente, mas precisamos de evidências sólidas e não de teorias conspiratórias.

O tema é tratado, com seriedade, na literatura econométrica. Vejam, por exemplo:

Seater, J. (1993). World Temperature-Trend Uncertainties and Their Implications for Economic Policy. Journal of Business and Economic Statistics, 11, 265-277.

O Roger Koenker também se aventurou nessa seara:

Koenker, R. & Schorfheide, F. (1994). Quantile spline models for global temperature change. Climatic Change, 28, 395-404.

Mais uma referência para fechar:

Harvey, D. & Mills, T. (2001). Modelling global temperature trends using cointegration and smooth transitions. Statistical Modelling, 1, 143-159.

Ou seja, temos muito que discutir antes de plotar o gráfico da temperatura e da emissão de CO2 e concluirmos, de forma definitiva, que um causa o outro.

P.S.: Essa discussão me lembra, de certa forma, o debate sobre a causalidade entre o fumo e o câncer de pulmão. De um lado o Sir Ronald Fisher, do outro o mundo e todas as evidências irrefutáveis. (AQUI)

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