sexta-feira, 26 de março de 2010

Esmurrando a ponta de uma faca

Mais uma vez me deparo com os absurdos do dia-a-dia, ou melhor, das redes sociais. Ao declarar apoio a Dilma Rousseff, um indivíduo enumerou os principais feitos da ministra inclusive o seu mestrado e o seu doutorado na Unicamp. Em suas palavras: doutora na área de economia monetária e financeira.

Questionei essas informações, dizendo que elas não passam de uma fraude, já comprovada. A primeira reação do admirador da Dilma foi rebater as minhas críticas afirmando que isso não era nada perto do que o Governador José Serra falou a respeito da gripe suína. Sinceramente não entendi, ou melhor, entendi: o primeiro passo para se livrar de uma crítica é criar uma cortina de fumaça e sumir no meio dela.

Pois bem, questionei que eu nem havia falado o nome de Serra. Ou melhor, o que isso teria a ver com a falsificação? Usando o mesmo raciocínio eu poderia dizer que perto do que o maníaco do parque fez, a declaração de Serra não é nada. Não fiz isso e insisti com o questionamento (estratégia que o produtor da fumaça mais detesta).

Reiterei que se tratava de um crime, falsidade ideológica. Então o cidadão falou que não era crime, pois ela não havia falsificado documentos. Eu falei que sim, pois o Lattes é um documento. Ou seja, segunda etapa: transforme crime em não-crime. Uma coisa do tipo: não foi caixa dois, foi dinheiro não contabilizado.

Insisti na tese do crime, mas recebi a resposta que seria um engano. Tal qual aquele de mandar agilizar o processo do filho do Sarney? Não, não perguntei isso, queria me concentrar no doutorado da Dilma. Então num último suspiro, surgiu a palavra “erro” (seria sinônimo de engano?).

Enfim, abandonei o debate. Minha conclusão foi: no Brasil, crimes são diminuídos quando comparados com coisas piores. Tipo, eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas estou só pedindo uma pequena extorsão para cuidar do seu carro numa via pública. Depois eles se transformam em enganos: queria atirar para cima, mas o revólver escapou e acabei descarregando a arma no peito de meu desafeto. Foram 6 tiros acidentais, um recarregamento acidental seguido de mais 6 tiros acidentais. Depois do engano vem o erro. Depois disso, só o exílio.

Meu desejo é ser perseguido pelo regime bolivariano atual. Quem sabe daqui a 20 anos eu não recebo uma indenização por isso.

4 comentários:

Cibele Bastos disse...

Conclusao Perfeita Erik!

abs!

ps: valia a pena perguntar ao individuo se o que a Dilma faz é ou nao campanha antecipada? hehe, acho que n!

cristiano disse...

apenas: 2+2=5.

Diego de Paula disse...

Nossa!! Nem pense nisso Cibele. Fazer essa pergunta para um desses devotos da Dilminha, pode até matar o companheiro de raiva.

Olha Erik, a conclusão foi perfeita, mas custa... custa muito mesmo passar do engano para o erro!

##

Anônimo disse...

O melhor é ela dizer que não preencheu o lattes e não saber de onde partiram as informações incorretas.
Ademais, é conhecida como um dos "cérebros econômicos" do governo, sem ter terminado nem o doutorado. É uma vergonha!
Abs.,
Diogo de Prince Mendonça
P.S.: Leitor assíduo do blog.