terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pluralismo na economia

Vez por outra surge a discussão sobre o pluralismo nos departamentos de economia. Esse assunto chato me fez recordar de um belo post dos alunos da PUC em resposta a um artigo publicado no Valor Econômico:

Meninos da PUC respondem a Oreiro e Andrade: podemos conversar, mas com algum método.


Recomendo, fortemente, a leitura. Contudo, faço um resumo de suas idéias.

Os trechos publicados no Valor Econômico são tão bizarros quanto comuns nos corredores e, pasmem, nas salas de aula das universidades. Deliciem-se com dois deles:

“O que falta [à macroeconomia dominante, na academia e nas escolas] é um sentido do todo humano”, por que “a economia ‘samuelsoniana’, termo melhor do que ‘neoclássica’, reduz toda a economia às aventuras de um mau caráter chamado Max U” (que maximiza a utilidade). “Esse sujeito é um completo idiota! Só pensa em si mesmo. Uma economia pluralista fala de pessoas reais.”


"Mas fica difícil para um economista externo ao pensamento “mainstream” entrar no circuito das publicações acadêmicas, terreno importante para a apresentação de idéias que possam ser consideradas inovadoras. É o que explica McCloskey: “O problema é que, para ter um artigo aceito num “journal” samuelsoniano, você deve usar um modelo Max U e deve expressar seus resultados em ‘teoremas de existência’ -- que não têm nenhuma importância como ciência, pois ciência trata de grandezas, não de teoremas de existência. Além disso, você precisa usar ‘significância estatística’, o que é um procedimento também desimportante. Se você está apenas raciocinando sobre economia, usando argumentos coerentes e mantendo-se atento às possíveis magnitudes relevantes, então você está fazendo verdadeira ciência econômica. Mas não vai ser publicado.”


Confesso que a leitura desses trechos doem na alma.

Diante desse lenga-lenga pluralista, os autores do post fazem a separação mais relevante para o debate:

[...] a distinção ortodoxia e heterodoxia é um tanto cinzenta, e que a divisão relevante seria entre má e boa economia. "Sempre que a "profissão" consegue aprender alguma coisa, estamos falando de boa pesquisa. Sempre que existe blá blá blá, análises intermináveis sobre textos antigos e estatística (ou econometria) feita sob medida para encontrar resultados, temos uma pesquisa ruim."


Ou seja, o pluralismo está separando as coisas erradas.

Os autores seguem jogando mais um pouco de luz no debate:

Os economistas aplicados do mainstream vivem de testar as hipóteses dos modelos. Quando não encontram evidências dos resultados, surge um desafio para a teoria, criando espaço para que busquem melhores respostas. Se não há um acordo com a abordagem de teste, como se avaliar um argumento?


Para fechar com chave de ouro, eles dão um nocaute nos pluralistas:

A má economia está para a teoria econômica como a alquimia está para a química. Química moderna é a racionalização de práticas da alquimia sem as crenças mitológicas. Não há nenhum problema com crenças, só não podemos aceitar que elas se finjam de ciência.

O maior argumento da mediocridade é fazer-se passar por diversidade. Diversidade é quando se abre espaço para diferentes idéias igualmente válidas. Há muito espaço para contestação e diálogo dentro da boa economia, mas é preciso método e implicações refutáveis. Caso contrário, é melhor usarmos túnicas e buscarmos uma pedra-filosofal heterodoxa.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como sempre além de não colocar suas próprias ideias(o que até agora mostrou-se uma tarefa árdua,cansativa e desgastante), repete os argumentos de terceiros, quartos, quintos...Também não seria de estranhar.
A simples tentativa de falar de pluralismo acadêmico, partindo de nosso agente representativo moderno, econometrica,estatisca e matematicamente robusto, aparenta um arroto mal executado. Soa feio, não tem aquela elegância, fineza dos antigos artistas da economia.

"Diversidade é quando se abre espaço para diferentes idéias igualmente válidas."
Acho que o cidadão deveria provar o que disse por meio de equações diferenciais de primeira, segunda, terceira, quarta, quinta, e até mesmo em sexta ordem. Assim, poderíamos concluir, de modo irrefutavel, que a diversidade deve ser respeitada.

Para os atuais economistas nada mais sábio do que esta sentença(infelizmente não matemática): "Meus pensamentos são minhas rameiras".

Hilarius, o outro.