sexta-feira, 3 de setembro de 2010

É ilegal, mas e daí?

Quem não ouviu falar das festas juninas do Nordeste? Do forró pé de serra, da canjica, milho verde? Do maior São João do mundo em Campina Grande – PB ou do melhor São João do mundo em Caruaru – PE? Quem nunca ouviu o leu que os parlamentares nordestinos “somem” de Brasília durante o mês de junho para curtir essa manifestação cultural?

Pois bem, além de realizarem uma verdadeira migração de retorno, os parlamentares destinaram 13.8 milhões de reais para financiar as festas juninas de 19 estados em 2010. O ministério do turismo engrossou o bolo da verba pública com mais 1.1 milhão, como pode ser visto na matéria abaixo:

Tradicionais no Nordeste e palanques em potencial nas eleições, as festas juninas estão na mira do Ministério Público Federal. Há pelo menos 13 investigações em andamento que apuram irregularidades na aplicação das verbas. Os recursos destinados às prefeituras são do Ministério do Turismo. Só este mês foram liberados R$ 14,9 milhões para festas juninas em 19 estados. Desse valor, R$ 13,8 milhões são referentes a emendas parlamentares. O restante é de programas do próprio ministério. Este ano, o governo estabeleceu regras mais rígidas para comemorações com dinheiro federal durante o período eleitoral. Entretanto, as normas só valem a partir do início de julho. A temporada de festas juninas, que esvazia o Congresso Nacional, termina no dia 4. Hoje e amanhã, os principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), têm participações previstas nos maiores arraiais do país. Em Caruaru, Pernambuco, são esperadas mais de 1,5 milhão de pessoas. Em Campina Grande, na Paraíba, os gastos com a festa devem ultrapassar R$ 5 milhões.



Além das possíveis irregularidades e do debate sobre a pertinência do financiamento público dessas festas, destaco outro fator: as bandas contratadas fazem propaganda política irregular. Para verificar essa hipótese escutei todo o show de uma banda contratada por uma cidade do interior da Paraíba (não recomendo isso a ninguém). Durante duas horas de show, a banda mencionou o nome do prefeito 48 vezes. O nome da prefeitura surgiu 23 vezes. O governador, um senador e um deputado federal foram lembrados 14, 10 e 7 vezes, respectivamente. E tem mais, por vezes o vocalista mudava a letra da canção falando: “fulano é do povo”, “fulano é moral”, e por aí vai.

Ou seja, um péssimo destino para o dinheiro público. As irregularidades estão aí, não vê quem não quer, ou quem não se importa.

2 comentários:

Thalita Novo disse...

Olá,

Sou coordenadora de redes do Instituto Millenium e gostaria de um email de contato do blog para fazer um convite.

Atte,

Aguardo contato,

Thalita

Erik Figueiredo disse...

Olá, Thalita. Meu email é: eafigueiredo@gmail.com