sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Monografia em fase de conclusão

Um aluno de graduação da UFPB, o Thyago Cordeiro, está finalizando a sua monografia sob minha (des)orientação. O seu principal objetivo é verificar quais os principais componentes da mudança na distribuição de renda brasileira no período de 1987 a 2009. Em outras palavras, a diferença entre as densidades de renda são fruto de alterações nos coeficientes da equação de rendimento (por exemplo, as pessoas ganham mais hoje porque são mais educadas?), na remuneração desses coeficientes (i.e., a população com o mesmo nível educacional, mas sendo melhor remunerada), ou em ambos.

Para descobrir o impacto desses fatores, o Thyago propôs uma análise contrafactual baseada em regressões quantílicas. O texto de referência é: (Machado, J. & Mata, J. (2005). Counterfactual decomposition of changes in wage distributions using quantile regression. Journal of Applied Econometrics, 20, 445-465.). Em resumo, o que ele deseja é verificar quais os fatores que contribuem para a diferença entre essas duas densidades:



Pois bem, um de seus resultados é sumarizado na Figura à seguir. O que se pode concluir a partir dela? Em primeiro lugar, observa-se que o movimento de renda entre 1987 e 2009 foi favorável aos quantis inferiores da distribuição (valor positivo da curva até o quantil 0.60) e desfavorável aos quantis superiores. Dado que o nível de desigualdade é menor no ano final, de 0.55 em 1987 (Gini) para 0.49 em 2009, pode-se dizer que houve um movimento das caudas para o meio da distribuição.



Ao observar os componentes dessa mudança total nota-se que grande parte dela se deu por efeitos nos coeficientes. Ou seja, um aumento na remuneração das covariáveis, em especial na parte de baixo da distribuição. Já as características se mantiveram relativamente constantes.

Diante disso, pode-se dizer não houve uma maior mobilidade educacional, por exemplo? (AQUI).
Na verdade o resultado é mascarado pelo período considerado. O movimento nas características é detectado quando se utiliza o período 1987 a 1997. Ou seja, a abertura econômica gerou uma modificação nas característica dos trabalhadores. Em seguida, os indivíduos que habitavam a parte de baixo da distribuição também investiram em qualificação e equalizaram um pouco a diferença com os mais qualificados.

Com isso, surge uma pergunta: estamos confirmando os modelos teóricos (AQUI) e os resultados empíricos (AQUI) que associam abertura comercial a distribuição de renda?

Se sim, me parece que a melhoria na distribuição de renda atual possui um fator de abertura comercial. Seria um efeito Collor de Melo que nunca é computado?
Thyago terá muito trabalho pela frente.

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