quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Duas reflexões

Destaco dois momentos importantes do pós-keynesianismo brasileiro. O primeiro foi uma dica do Cláudio Shikida. O segundo surgiu na leitura de um livro.

"O pós-keynesianismo é o inconsciente de Keynes":

Keynes, aparentemente, se recusou (sic), no Tratado sobre a moeda, a extrair todas as conclusões que seu modelo impunha".

Cardim de Carvalho, F. Moeda, produção e acumulação: uma perspectiva pós-keynesiana. In Silva, M.L.F. (org) "Moeda e produção: teorias comparadas, 1992, UnB, p.169.


Ou seja, Keynes recusou-se a concluir o que ele mesmo dizia.

"O mundo dos pós-keynesianos":

Ao elaborarem suas críticas às construções teóricas os pós-keynesianos se queixam da abstração excessiva, como pode ser visto no texto do professor Gilberto Tadeu de Lima:

Mesmo reconhecendo que qualquer formulação teórica não é um retrato fiel da realidade, os pós-keynesianos rejeitam os modelos de equilíbrio geral por estes abstraírem os aspectos que primordialmente caracterizam as economias do mundo real, a saber, a ...


No entanto, mais à frente (Lima, 1992, p. 107) o autor esqueceu da observação de que “qualquer formulação teórica não é um retrato fiel da realidade”, e, ao conceituar a economia monetária, afirmou:

Em um mundo – nosso mundo– onde a incerteza que recobre o devir é algo inescapável, a moeda assume um papel essencial no processo capitalista de tomada de decisão...(Grifo meu).

Lima, Gilberto Tadeu de. Em busca do tempo perdido: a recuperação pós-keynesiana da economia do emprego de Keynes. Rio de Janeiro: BNDES, 1992.

Nenhum comentário: