segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Compensação e responsabilidade

Considerem que o bem-estar de um indivíduo é determinado pela seguinte função:

U=(x+y)z

Onde x denota os recursos externos, como por exemplo, as transferências governamentais; y representa o background social e; z o nível de esforço. Assumam a existência de quatro tipos de indivíduos na sociedade (determinados a partir dos valores de y e z):

y\z 1 ; 3
1 Pobres não merecedores; Pobres merecedores
3 Ricos não merecedores; Ricos merecedores


Dito isso, o problema será: qual a política de compensação ótima para essa sociedade. Em outras palavras, como alocar x?

Uma solução seria equalizar (x+y) entre todos os indivíduos, ou seja:

y\z 1 ; 3
1 x=5, U=6; x=5, U=18
3 x=3, U=6; x=3, U=18

Notem que as transferências não levam em consideração os níveis de esforço (merecimento), e somente a situação econômica (pobres ou ricos). Mesmo assim, os merecedores apresentam um nível de bem-estar superior aos não merecedores (U=18).

Alternativamente, poder-se-ia adotar uma política que favoreçam os merecedores:

y\z 1 ; 3
1 x=2, U=3; x=8, U=27
3 x=0, U=3; x=6, U=27

Neste caso, os que não merecem terão bem-estar U=3. Já os merecedores obterão um U=27. O argumento ético em favor dessa segunda política é que os merecedores são mais hábeis para lidar com os recursos, aumentando, com isso, o nível de bem-estar social da economia.


Diante disso, pergunta-se: qual desses mecanismos é aplicado no Brasil atualmente?
Leiam isto AQUI e reflitam.

É evidente que a discussão não é tão simples assim. Por isso, é recomendável a leitura de:

Fleurbaey, M. & Maniquet, F. (2011). Compensation and responsibility. In:
Arrow, K., Sen, A. & Suzumura, K. (eds). Handbooks in Economics: Social
Choice and Welfare, v. II. Amsterdam: Elsevier.

É interessante, mas argumentos como esse não são considerados no desenho das políticas públicas.

P.S.: Desculpem, mas não sei inserir tabelas nas postagens.

2 comentários:

Pedro Henrique C.G. de Sant'Anna disse...

Vale a pena ler também esse paper:

Low, Hamish; Costas Meghir and Luigi Pistaferri (2010) “Wage risk and employment risk over the life-cycle”, American Economic Review (forthcoming).

O link para o paper está aqui:
http://www.stanford.edu/~pista/lmp_final.pdf

Acho que montar algo para o Brasil usando o bolsa familia e outras politicas publicas disponiveis ia ser interessante.

Anônimo disse...

Grande, depois que eu li essa parte no Fleubaey é que tu faz esse post? rs. Rapaz, tenho a impressão que, no Brasil, não vêem com bons olhos diferenciais em Z. Ou seja, querem equalizar U e não (X + Y). Fazem isso a qualquer custo, inclusive aumentando X pra quem tem menos Z. A meritocracia é jogada no lixo. Basta perceber que ser rico no Brasil é "eticamente reprovável".

Abraços,
Cleiton