domingo, 12 de junho de 2011

A teoria do "senta e espera"

O que é preciso para um professor obter uma progressão funcional nas Universidades Federais? Nada, é só ficar sentado esperando. O único requisito é o tempo. Usando a UFPB como exemplo, para progredir da Categoria Adjunto I para a Adjunto II o professor deve manter uma média semestral de 140 pontos (em dois anos).

Se ele ofertar duas disciplinas por período, obtém 180 pontos. Devido ao ponto de corte, apenas 120 pontos são computados. Ou seja, são necessários mais 20 pontos, o que não é difícil, basta orientar uma monografia (20 pontos), monitoria (10 pontos), ter um projeto de pesquisa cadastrado (15 pontos), entre outras atividades. Contudo, o mais interessante é que caso o professor atinja os 560 pontos em dois semestre (o que garantiria os 140 Pontos de média), ele não poderá progredir. É a política do “sente espere completar os dois anos”.

As atividades de pesquisa são computadas de forma diferente. Ou melhor, de forma displicente. Se o Journal of Econometrcis, a Revista Brasileira de Economia ou a Economia & Desenvolvimento solicitarem um parecer científico, você será recompensado com 2 Pontos. Caso você publique nessas revistas, cada uma renderá 15 Pontos (isso mesmo, Journal of Econometrcis = Economia & Desenvolvimento).

Um contraponto importante a minha crítica é: a universidade não é um órgão exclusivo de pesquisa, logo, não precisa dar incentivos exacerbados à produção. Concordo em parte, mas para não entrar nessa discussão abandono a universidade e me direciono a progressão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Mais especificamente, aos bolsistas de produtividade em pesquisa.

Para ingressar no “seleto” grupo de pesquisadores do CNPq são necessários o término do doutorado, uma produção de artigos razoável e, pasmem, sentar e esperar três anos. Exato, não basta concluir o doutorado e ter boas publicações. Você precisa passar pelo período de maturação. Hoje em dia é natural que um aluno de doutorado já possua boas publicações e uma série de “forthcomings”, mas isso não basta.

Superado o período de maturação o pesquisador se transforma em Bolsista de Produtividade 2. As categorias superiores são 1D, 1C, 1B, 1A e Sênior. Imagina-se que a passagem de categoria 2 para a 1D dependa apenas da melhora da produção individual. Ledo engano. Nas palavras do próprio CNPq: “Pesquisador 1: 8 (oito) anos, no mínimo, de doutorado por ocasião da implementação da bolsa.” Ou seja, mais uma bem sucedida aplicação do método “senta e espera”.

Um comentário:

Christiane disse...

O "senta e espera" é prática em todo o serviço público, Erik, infelizmente. Nos órgãos federais (onde eu trabalho é assim, imagino que seja em todos), a progressão e promoção levam de 1 ano a 1,5 ano, sem precisar de nenhum esforço. Vc pode não fazer nada, que vai continuar mudando de faixa salarial e ganhar muito mais para contar borrachinha do que alguém que está efetivamente trabalhando duro, simplesmente porque tem mais tempo de serviço.
Lamentável, vergonhoso, desperdício do dinheiro público... tudo o mais que a gente sabe.