quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tostão, um homem de "sorte"

A polêmica entre os tri campeões mundiais de futebol, Carlos Alberto Torres e Tostão, revela muito sobre o povo brasileiro. Tostão manifestou publicamente que abrirá mão da aposentadoria para os jogadores campeões mundiais pela seleção prometida pelo Governo Federal. Carlos Alberto Torres retrucou, com a elegância característica de um brasileiro cordial:

É um demagogo, pode escrever aí. O Tostão não precisa ficar falando. Ele teve mais sorte que do os outros, é médico, não sei nem se é ele que escreve aquela coluna lá no jornal. Mas tem gente que não foi preparada. Esse filho da p... deveria falar algum tipo de verdade. Não gosto nem de falar.


Reportagem completa AQUI.

Além da educação de Torres, outra coisa me chama a atenção: “Ele teve mais sorte que do os outros, é médico [...]” - Grifo meu. O fato de Tostão ser médico é uma questão de sorte? Isso varia. Para algumas sociedades, como a norte americana, o resultado econômico é visto como resultado do esforço; para outras sociedades esse resultado é uma questão de sorte. Neste último grupo estão os Europeus e nós brasileiros.

Modelos de economia política afirmam que esta percepção é preponderante na escolha das políticas de redistribuição. Por exemplo, se uma sociedade acredita que o esforço individual determina renda, ela irá escolher baixos níveis de redistribuição e impostos. Caso a sociedade acredite que a sorte, conexões, e/ou corrupção determina a riqueza, ele vai cobrar impostos altos.

Esta relação pode ser observada no gráfico abaixo. Observem que quanto maior a crença da sorte como determinante da renda, maior a demanda por políticas redistributivas (gastos sociais como proporção do PIB). Contudo, diferente dos europeus, os Latino Americanos apresentam mais uma particularidade. Em breve a dividirei com vocês.

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