sábado, 3 de setembro de 2011

Pesquisa no Brasil

David Bousfield, professor da Universidade de Cambridge, identifica as principais limitações da pesquisa biomédica brasileira. Seu relato baseia-se em sua experiência própria como pesquisador visitante no Brasil:

Identifying reasons for failure in biomedical research and publishing

The regular assessment of Brazilian scientific output means that individual university departments need to constantly improve the quantity and quality of their scientific output. A significant proportion of this output involves the work of Master’s and Doctoral
students, but getting this work published in a suitable journal can often prove to be a challenge. Although students’ lack of fluency in English is a contributing factor, many of the problems observed have an early origin in the formulation of the research
problem and its relevance to current research trends in the international literature. In short, more time needs to be spent in the library and less in the laboratory, and more effort needs to be made in teaching students basic research skills such as the effective use of bibliographic databases like PubMed, Web of Science and Scopus.

O pesquisador deixa 10 dicas para os coordenadores de pós-graduações. Destaco as que considero mais relevantes:

1. A Pesquisa começa, continua e termina na biblioteca (virtual). [Comentário: nossos alunos conseguem identificar a área de atuação, situando-a na literatura internacional?];

2. Forneça apoio para a melhora da leitura e escrita em Inglês (e Português). [Comentário: É incrível que o autor recomende a leitura em português. Ou seja, nosso problema não é a segunda língua e sim a primeira];

3. Torne o registro acadêmico (publicações, períodos recentes, etc.) dos professores mais visível. [Comentário: O objetivo é que os alunos possam se espelhar e escolher o orientador de forma mais eficiente. Em outras palavras, deve-se dar valor a quem produz];

4. Melhore a elaboração do projeto. [Comentário: Este ponto é muito importante! A defesa de projetos é vista como mais uma formalidade. Geralmente não há muita exigência em relação a este tópico. Se houver um maior rigor nesta etapa, aumentam as chances de uma boa tese];

5. Todos os projetos devem ser revisados (acompanhados) em intervalos de tempo regular. Ele deve ser subdividido em módulos, de modo que o trabalho possa ser monitorado de forma mais contínua. [Comentário: Se enquadra no comentário anterior];

6. A criação de uma tese parece contraproducente. Elas são necessárias? [Comentário: Escrever uma tese longa e cheia de formalidades não garantirá a sua publicação. Uma dissertação, por exemplo, poderia ser um artigo publicado];

7. Cursos sobre metodologia científica e publicação devem ser incluídos como uma disciplina obrigatória. [Comentário: Concordo! Mas o que se ensina nestes cursos? Normas da ABNT? Certamente não!];

8. Mais esforço deve ser dirigido no estabelecimento de períodos de treinamento no exterior. [Comentário: Isto serve para os professores, inclusive. Uma experiencia internacional ou o contato com pesquisadores estrangeiros seria um bom caminho].


Embora o artigo trate da pesquisa em Biomédica, seus conselhos servem, e muito, para a área de Sociais Aplicadas. vale a leitura!

P.S.: Dica do professor Valdemiro Júnior.

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