sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A polarização da renda no Brasil

Um relatório recente do IPEA alardeou a redução do índice de Gini entre os municípios. E mais, eles destacaram que as maiores quedas foram registradas nas regiões mais pobres do país, Norte e Nordeste, e, em especial, no estado da Paraíba.

Dito isto, vejam estas figuras e depois eu as comento.



O que elas informam? Elas sintetizam a evolução das rendas per capita estaduais não ponderadas e ponderadas pela população (vocês acham que São Paulo e Sergipe devem ser tratadas de forma similar na amostra?).

Pois bem, a Figura 1 mostra que de 1991 a 2007 a densidade está convergindo para uma bimodal. A Figura 2, onde as rendas são ponderadas pela população, reforçam a tendência (na verdade a acentua).

Ou seja, mesmo sem um cálculo específico, posso afirmar que houve um aumento na polarização. Em outras palavras, os estados ricos estão se distanciando dos estados pobres.

Vejamos o fenômeno da polarização mais de perto: a polarização, no sentido de Esteban e Ray, baseia-se na identificação e na alienação. Imaginemos uma bimodal, quando mais homogêneo for cada grupo (menor desigualdade intra grupos) e quanto maior for a alienação (desigualdade entre grupos), maior o polarização. Note que a menor desigualdade intra grupos reduzirá a variância da distribuição bimodal. Logo, é perfeitamente possível que haja uma redução no Gini e um aumento na polarização.

É isto que acontece com os dados Estaduais. As rendas não poderadas apresentam uma desigualdade de 0.2988, em 1991, e de 0.2886, em 2007. E os dados municipais? Meus resultados preliminares indicam que o comportamento é similar.

Concluindo: IPEA, uma redução nos Ginis dos municípios pode significar que os municípios pobres estão cada vez mais parecidos e relativamente mais distantes dos municípios ricos. Menos fogos de artifício, tá?

P.S.1: A partir do ano que vem o Grupo de Estudos em Economia Social divulgará relatórios relacionados à realidade socioeconômica do Nordeste e, em particular, da Paraíba. Tudo feito com moderação.

P.S.2: Estes resultados são fruto de um esforço conjunto com o Professor Sabino Porto Junior.

4 comentários:

Leonardo Monasterio disse...

Eric,

Ótimo post. um ponto:
-como vc pode ver no trabalho citado (comunicado 120), quem fez o estudo foi basicamente a assessoria da presidencia do ipea. Ninguem da diretoria de estudos regionais, urbanos e ambientais- ate onde eu sei - trabalhou ou foi consultado sobre o assunto.
Sobre a questao , o negocio é esperar pelos dados de renda municipais baseados na amostra do censo 2010 para - aih sim - verificarmos mesmo o que aconteceu. Dara para fazer um theil e ver como andaram as coisas.
Abracao,
Leo.

Erik Figueiredo disse...

Leo, eu calcularei umas medidas de polarização específicas. Em breve posto os resultados. Abraços,

Leonardo Monasterio disse...

Vc nao acha que vale a pena esperar os dados da amostra do censo de 2010? Os resultados do universo (cheios de renda zero e coisa e tal) nao serao comparaveis com os dos censos anteriores, ou não?

Leonardo Monasterio disse...

Erik, desculpe escrever o teu nome com "c" no comentario anterior.