Um relatório recente do IPEA alardeou a redução do índice de Gini entre os municípios. E mais, eles destacaram que as maiores quedas foram registradas nas regiões mais pobres do país, Norte e Nordeste, e, em especial, no estado da Paraíba.
Dito isto, vejam estas figuras e depois eu as comento.
O que elas informam? Elas sintetizam a evolução das rendas per capita estaduais não ponderadas e ponderadas pela população (vocês acham que São Paulo e Sergipe devem ser tratadas de forma similar na amostra?).
Pois bem, a Figura 1 mostra que de 1991 a 2007 a densidade está convergindo para uma bimodal. A Figura 2, onde as rendas são ponderadas pela população, reforçam a tendência (na verdade a acentua).
Ou seja, mesmo sem um cálculo específico, posso afirmar que houve um aumento na polarização. Em outras palavras, os estados ricos estão se distanciando dos estados pobres.
Vejamos o fenômeno da polarização mais de perto: a polarização, no sentido de Esteban e Ray, baseia-se na identificação e na alienação. Imaginemos uma bimodal, quando mais homogêneo for cada grupo (menor desigualdade intra grupos) e quanto maior for a alienação (desigualdade entre grupos), maior o polarização. Note que a menor desigualdade intra grupos reduzirá a variância da distribuição bimodal. Logo, é perfeitamente possível que haja uma redução no Gini e um aumento na polarização.
É isto que acontece com os dados Estaduais. As rendas não poderadas apresentam uma desigualdade de 0.2988, em 1991, e de 0.2886, em 2007. E os dados municipais? Meus resultados preliminares indicam que o comportamento é similar.
Concluindo: IPEA, uma redução nos Ginis dos municípios pode significar que os municípios pobres estão cada vez mais parecidos e relativamente mais distantes dos municípios ricos. Menos fogos de artifício, tá?
P.S.1: A partir do ano que vem o Grupo de Estudos em Economia Social divulgará relatórios relacionados à realidade socioeconômica do Nordeste e, em particular, da Paraíba. Tudo feito com moderação.
P.S.2: Estes resultados são fruto de um esforço conjunto com o Professor Sabino Porto Junior.


4 comentários:
Eric,
Ótimo post. um ponto:
-como vc pode ver no trabalho citado (comunicado 120), quem fez o estudo foi basicamente a assessoria da presidencia do ipea. Ninguem da diretoria de estudos regionais, urbanos e ambientais- ate onde eu sei - trabalhou ou foi consultado sobre o assunto.
Sobre a questao , o negocio é esperar pelos dados de renda municipais baseados na amostra do censo 2010 para - aih sim - verificarmos mesmo o que aconteceu. Dara para fazer um theil e ver como andaram as coisas.
Abracao,
Leo.
Leo, eu calcularei umas medidas de polarização específicas. Em breve posto os resultados. Abraços,
Vc nao acha que vale a pena esperar os dados da amostra do censo de 2010? Os resultados do universo (cheios de renda zero e coisa e tal) nao serao comparaveis com os dos censos anteriores, ou não?
Erik, desculpe escrever o teu nome com "c" no comentario anterior.
Postar um comentário