quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Esquerda, direita?

No artigo Fairness and Redistribution:
US versus Europe
, Alberto Alesina e George-Marios Angeletos assumem que os simpatizantes da 'esquerda' no espectro político, tendem a ser pró redistribuição de renda. Em outras palavras, para esses indivíduos a norma de justiça igualitária é preferível a qualquer tentativa de discriminar o esforço individual.



No entanto, os dados do World Values Survey parecem indicar o contrário.
Quando questionados sobre a situação:

"Imagine duas secretárias, com a mesma idade, e que fazem praticamente o mesmo serviço. Uma delas fica sabendo que
a outra ganha mais. A secretária que tem o salário maior é mais rápida, mais eficiente e mais confiável em seu trabalho. Na sua
opinião, é justo ou injusto que uma secretária ganhe mais que a outra?"

69% dos indivíduos de extrema direita dizem que a diferença salarial descrita acima é justa.
Contudo, na extrema esquerda ...ops, para 69% dos que se declaram de extrema esquerda a situação também é considerada justa.
Ou seja, esquerda e direita não são bons indicadores para determinar o desejo redistributivo dos indivíduos.


Um comentário:

Anônimo disse...

Erik, resumindo os problemas contemporâneos da economia brasileira:

1 - A economia cresce a taxas inferiores ao compatível com sua categoria de emergente. Isso ocorre por culpa do câmbio valorizado, que incentiva importações (provocando desindustrialização) e desincentiva exportações (provocando déficits em CC).

2 - A inflação está acelerando, mas não pode ser por pressões de demanda, vide o baixo crescimento e o câmbio valorizado. Além de choques de oferta negativos advindos da mudança climática sobre a agricultura, o fator inercial não pode ser negado. Aqui, novamente, o congelamento de preços não pode ser descartado como mecanismo político racional.

3 - A tese do pleno-emprego é absurda. Seja nas periferias das grandes cidades, seja no campo, há um grande contingente de braços disponíveis a entrar no mercado de trabalho. A própria definição de pleno-emprego entendida pelo mainstream é absurda, uma vez que a PEA aumenta com a demanda efetiva.

4 – A política monetária é adequada. Como estudado nos modelos de expectativas racionais, a política ótima é aquela em que as autoridades sinalizam ao mercado uma baixa tolerância com a inflação, e na prática fazem o contrário. Desta maneira, os empresários tomarão o aumento de preços como um aumento de preços relativos de seus produtos, e aumentarão a produção.

Nesse sentido, as melhores recomendações em termos de política são as seguintes:

1 – Ao invés de se ter metas de superávit primário, é primordial que o Estado utilize a política fiscal para induzir a demanda efetiva e contrabalancear o choque negativo de oferta vindo da agricultura.

2 – Ao invés de câmbio flutuante, é mais proativo adotar taxas múltiplas de câmbio, favorecendo com taxas valorizadas o setor de bens de consumo e com taxas desvalorizadas o setor de bens de capital e os exportadores.

3 – Ao invés de se insistir em metas de inflação (talvez, mantê-las nominalmente para ancorar as expectativas de mercado), é mais efetivo diante da própria natureza dessa aceleração inflacionária (como visto, não pode ser causada pelo lado da demanda) a política de congelamento de preços, que ataca a verdadeira raiz do problema: o componente inercial.

Abraço