terça-feira, 30 de abril de 2013

Salami science

Me identifiquei, plenamente, com a reportagem. Nao com a reportagem em si, e sim com a repercussão dentro dos departamentos. (Link AQUI)

Tenho um punhado de artigos, mas nada relevante. Talvez uma ou duas citações internacionais, mas nenhuma que mereça destaque e, com certeza, uma serie de rejeições em journals de melhor qualidade. Contudo, a reportagem passa uma visão errônea, no meu entendimento: a existência de produtivistas (grandes pontuadores no qualis da CAPES) e dos menos produtivos, mas que estão buscando algo mais profundo e relevante.

Se olharmos para trás, veremos que o Brasil nunca foi um celeiro de grandes pesquisadores (talvez um celeiro de outras coisas). A politica da CAPES sinalizou o caminho: a produção. Houve uma massificação da produção (a maioria sem relevância), mas, pelos menos identificaram-se os tipos: os que querem produzir, e os que não querem. O passo seguinte é, a partir dessa massificação, separar os que tem talento para continuar, e os que não têm.

É evidente que estou sendo otimista em imaginar que a CAPES possui um política de médio e longo prazos. Acredito que não a tem. Mas, assim como parcela dos pesquisadores brasileiros optou pela pesquisa, sem quase nenhum retorno monetário (em especial nas Universidades Públicas), muitos, por decisão individual, optarão pela mudança de patamar da sua pesquisa.

Dito isso, retorno ao ponto inicial do post: existe mesmo uma classe de pesquisadores que sofre discriminação por não pontuar, mas estão envolvidos em grandes pesquisas? Talvez em contribuições para a fronteira da ciência econômica? Citem o nome de um deles, por favor.

O que existe é gente que pesquisa e gente que não pesquisa. A maioria do primeiro grupo produz fatias de salame. Parte deles mudarão de patamar, uma pequena parte, acredito. Em resumo, o que quero enfatizar é que aquele professor que não pontua no qualis nao esta fazendo uma grande pesquisa, ele continua a não fazer nada.

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