terça-feira, 30 de julho de 2013

Pensamento

Alguém consegue mensurar os efeitos da abertura econômica, do controle inflacionário e dos programas de redistribuição de renda sobre estas variáveis: a) longevidade; b) educação e; c) renda?

Dado que não há uma resposta precisa, então, não é possível fazer comparações entre mudanças no IDH e os governos FHC, Lula e Dilma.

Devemos lembrar que duas variáveis podem até caminhar juntas, mas isso não indica que uma “causa” a outra. Esse tipo de associação é até aceitável em debates de mesa de bar, ou em manchetes jornalísticas. Mas nunca “na boca” de um estudante mediano de economia.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

IPEA de novo

Vou reeditar um post de 2011, como resposta a algumas questoes levantadas pelo Presidente do IPEA, Marcelo Neri:
Neri faz análise sobre crescimento inclusivo do Nordeste

Em relação às desigualdades econômicas do Brasil, o ministro disse que por pessoa, em termos reais, a renda dos 10% mais pobres cresceu 91% entre 2001 e 2011, enquanto o rendimento dos 10% mais ricos teve um aumento de 17%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE). Com foco no Nordeste, Marcelo Neri afirmou que em 2009 as rendas per capita eram mais baixas, e que houve um processo de evolução. “Além das rendas entre estados, se olharmos a distribuição entre os municípios, no período de 2000 e 2010, é possível observar uma queda das desigualdades”, complementou o ministro. (Grifo meu).

Novamente o IPEA destaca a redução do índice de Gini entre os municípios, destacando o Nordeste.

Dito isto, vejam estas figuras e depois eu as comento.



O que elas informam? Elas sintetizam a evolução das rendas per capita estaduais não ponderadas e ponderadas pela população.

Pois bem, a Figura 1 mostra que de 1991 a 2007 a densidade está convergindo para uma bimodal. A Figura 2, onde as rendas são ponderadas pela população, reforça a tendência (na verdade a acentua).

Ou seja, mesmo sem um cálculo específico, posso afirmar que houve um aumento na polarização. Em outras palavras, os estados ricos estão se distanciando dos estados pobres.

Vejamos o fenômeno da polarização mais de perto: a polarização, no sentido de Esteban e Ray, baseia-se na identificação e na alienação. Imaginemos uma bimodal, quando mais homogêneo for cada grupo (menor desigualdade intra grupos) e quanto maior for a alienação (desigualdade entre grupos), maior o polarização. Note que a menor desigualdade intra grupos reduzirá a variância da distribuição bimodal. Logo, é perfeitamente possível que haja uma redução no Gini e um aumento na polarização.

É isto que acontece com os dados Estaduais. As rendas não ponderadas apresentam uma desigualdade de 0.2988, em 1991, e de 0.2886, em 2007. E os dados municipais? Meus resultados indicam que o comportamento é similar.

Concluindo: IPEA, uma redução nos Ginis dos municípios pode significar que os municípios pobres estão cada vez mais parecidos e relativamente mais distantes dos municípios ricos.

Com relacao ao efeito do PIB sobre a desigualdade, tambem destacado por Marcelo Neri, Eu e o Laurini temos uma visao menos otimista. Na verdade, mostramos que os estudos relacionados 'a captacao da elasticidade do crescimento em relacao 'a pobreza devem ser revistos. (AQUI)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Menos um mais um = ...

O Movimento Passe Livre da Paraiba esta, neste momento, contribuindo para o bem do Estado.
Ao invadir a Assembleia Legislativa (AQUI), os estudantes que nao estudam, nem trabalham, evitam que os nobres deputados aprovem leis como esta:

Cinemas da PB vão ter que exibir propaganda pública antes de sessões

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Curiosidade academica

Amostra: 5 revistas nacionais Qualis Capes - Economia;
Dados: tempo para o primeiro parecer e tempo para o parecer final - em meses.

Curiosidades:

a) O numero médio de dias da submissão até o parecer final caso um (ou mais) dos coautores possua vínculo com a Instituição que hospeda a revista, é de 210 dias;

b) Caso nenhum dos autores possua tal vínculo, a espera média sobe para 340 dias.

Evidente que não se pode atribuir essa diferença a um viés pró “time da casa”. Como já mencionado, é só uma “curiosidade”.

Contudo, pretendo ampliar esse banco de informações. Controlar pela “qualidade” dos pesquisadores, pela qualidade da revista ...
Aguardem!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Salário mínimo e distribuição de renda

A relação entre salário mínimo e distribuição de renda é, em principio, clara. No Brasil, as pesquisas indicam que os sucessivos aumentos no Salário Mínimo – SM (crescimento de real de 30% entre maio de 2005 e maio de 2009), são responsáveis por 1/3 da queda no índice de concentração de renda (em especial, o índice de Gini, que passou de 0.57 para 0.54 nesse mesmo período). O grande problema é que as elevações do SM foram muito superiores ao aumento na produtividade do trabalho (que cresceu apenas 1% nos últimos anos).


Esse tipo de reajuste possui uma forte pressão inflacionaria, tanto do lado da oferta, quando as empresas repassam parte dos seus custos para os preços dos seus produtos, quanto do lado da demanda, via aumento do consumo, e elevação dos preços em um segundo momento. As consequências são diversas, podendo-se destacar: 1) a perda da competitividade das empresas; 2) o aumento do desemprego; 3) o aumento da inadimplência; 4) a perda de poder de compra da população mais pobre, entre outras.

Diante desse cenário, pode-se questionar: qual a vulnerabilidade desses ganhos salariais? Em outras palavras, reduz-se a desigualdade hoje (Gini no curto prazo), mas diante de um cenário futuro marcado pela inflação e desemprego, pode-se garantir que esse ganho distributivo será sustentável?

As pessoas que saíram de uma situação de pobreza, ou que entraram no que o Governo Federal chama de “nova classe média”, não estão completamente seguras em suas novas posições. Ou seja, o não pobre hoje, pode se tornar pobre amanha. A nova classe média, pode voltar a ser classe baixa em um futuro próximo. Há muita incerteza na dinâmica da distribuição da renda.

Uma boa política redistributiva deve focar na redução dessas incertezas. Isso não esta acontecendo no Brasil, pois, os ‘ganhos’ redistributivos se dão de forma artificial. O aumento do salário mínimo acima da produtividade é um exemplo. As politicas de transferência de renda, sem a preocupação com a qualificação dos indivíduos (tampouco com a qualidade de uma eventual qualificação), é outro exemplo.

Na maioria dos casos, pesquisadores e membros dos governos destacam os ‘avanços’ redistributivos observando apenas a face estática da distribuição. O que não se enxerga, na maior parte das vezes, é que esses avanços são pautados em medidas frágeis que, no futuro, podem acarretar em perdas.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Isto a Globo nao mostra

Quem nunca leu uma mensagem anti Rede Globo nas redes sociais? Os famosos "Um dia sem a rede Globo", aumentaram nos ultimos meses, porem, como de costume, sem produzir efeito algum na audiencia do Canal de televisao carioca (o Leandro Sarubo mostra isso AQUI).

O fato e' que a Globo continua a influenciar o dia a dia do brasileiro, como mostram essas duas pesquisas:

Soap Operas and Fertility: Evidence from Brazil
Chong, Alberto
Duryea, Suzanne
La Ferrara, Eliana


Television and Divorce: Evidence from Brazilian Novelas
Chong, Alberto
La Ferrara, Eliana


A primeira afirma que as novelas contribuiram para a queda da fertilidade das familias brasileiras - O efeito colateral e' a quantidade de criancas batizadas com nomes de 'herois' e 'mocinhas' de novelas. A segunda sugere que a emissora possui uma influencia no aumento do numero de divorcios.

Os resultados podem ate ser contestados, mas nao deixam de ser curiosos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Word vs LaTeX

Os usuarios do TeX/LaTeX enfrentam muito mais do que as barreiras computacionais impostas pelos programas. Algumas revistas (e nao sao poucas), simplesmente nao aceitam submissoes nestes formatos. Vejam um exemplo:

Authors: Please click the 'Login' button from the menu above and log in to the system as 'Author'. Then submit your manuscript and track its progress through the system. A wide range of submission file formats is supported, including: Word, RTF, GIF, JPEG, Excel and Powerpoint. PDF is not an acceptable file format.

E que tal as exigencias cientificas da ANPEC:

máximo de 20 páginas, incluindo as referências bibliográficas e anexos;
. tamanho do papel no formato A4;
. fontes Arial ou Times New Roman, tamanho 12;
. espaçamento simples entre linhas;
. margens laterais em pelo menos 1,5 cm;
. margens inferior e superior em pelo menos 2 cm;

Ou seja, parem de compilar documentos. Em economia, o Word e' a plataforma cientifica.
Dureza!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Venham para rua, pesquisadores

Seguindo a onda de manifestações, lanço algumas reinvindicações para a academia brasileira, em especial a de Economia:

1) Que os editores leiam os papers e adotem a “rejeição de mesa”, evitando, com isso, o envio de textos de baixa qualidade para os pareceristas;

2) Que os pareceristas cumpram o prazo de envio dos julgamentos. Lembrando: o trabalho é voluntário, mas a partir do momento em que se aceita emitir o parecer, se deve cumprir todas as regras estabelecidas pela revista;

3) Que os congressos não adiem os prazos para a submissão dos artigos. Essa postura prejudica quem cumpre as obrigações e ajusta seu ritmo de trabalho para se adequar a data;

4) Que as bancas de congressos sejam formadas, exclusivamente, por pessoas com experiência acadêmica (publicações);

5) Que a CAPES adote uma avaliação mais rígida da produção acadêmica, de preferencia a partir de um ranking de pontuação internacional;

6) Que aqueles que se intitulam professores/pesquisadores cumpram suas obrigações de pesquisa, passando a, por exemplo, fazer comentários em versões previas de artigos e responder solicitações de envio de banco de informações e procedimentos empíricos;

7) Que haja uma maior fiscalização sobra a autenticidade do conteúdo dos currículos Lattes.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Indices de desigualdade de oportunidades municipais

A primeira versao do artigo "Uma proposta para a mensuracao dos indices de desigualdade de oportunidades municipais", acaba de ficar pronta. O trabalho realizado pelos pesquisadores do Nucleo de Estudos em Economia Social (NEES), Danyella Brito, Marcus Vinícius Silva e os professores Erik Figueiredo e João Ricardo Ferreira de Lima (EMBRAPA), calcula os indices de desigualdade de oportunidades municipais.


O banco de dados pode ser obtido AQUI.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Recordar e' viver: Anedota (post publicado em 7 julho de 2009)

Um Aluno fala com o professor Erik Figueiredo: Professor, parabéns pelas publicações recentes. Vi o seu Currículo Lattes ontem à noite.

Erik responde: obrigado, mas é o meu trabalho. Faço por prazer [Resposta correta: quero uma bolsa de produtividade].

Aluno: o senhor poderia disponibilizar os papers ainda não publicados?

Erik: claro, quais deles, meu querido!

Aluno: Tenho interesse nos artigos:

Is Income Mobility Socially Desirable? Quarterly Journal of Economics, forthcoming.

Ethical indices of income mobility. Econometrica, forthcoming.

Transfer principles and inequality aversion with an application to optimal growth. American Economic Review, forthcoming.

Ex-ante and ex-post welfare optimality under uncertainty. Journal of Economic Theory, forthcoming.

Que bom que se interessa por minha pesquisa, me passe seu email que te enviarei os artigos em breve.

O tempo passa e surgem alguns detalhes: o professor Erik nunca enviou os artigos. Nunca apresentou esses resultados tão maravilhosos, dignos de publicações top. E o MAIS curioso, o “forthcoming” não se transforma em um v. 59, n. 2, 2009, por exemplo.

Desconfiados disso, os membros da comissão de avaliação da CAPES escrevem para os editores das revistas listadas [ah, se isso fosse verdade, eles nunca verificam], e para a surpresa de todos, os artigos nunca foram aceitos [nem foram enviados].

A reação natural é punir o senhor professor Erik Figueiredo.

Diante do escândalo, o professor Erik Figueiredo marca uma entrevista coletiva no campus da UFPB [poxa, o cara é importante!]. Nela o professor declara:

De fato há um erro nas informações divulgadas pelo Sistema de Currículo Lattes.
Contudo, prometo a todos vocês, que sabem que sou honesto, que vou apurar de quem foi a responsabilidade pelas informações publicadas, já corrigidas (vejam o link do currículo Lattes na barra lateral).

Acharam tudo isso um absurdo? Falem sério, então vocês não leram isso AQUI.