sábado, 10 de agosto de 2013

Essa tal liberdade ...

“O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade...”

O filósofo Alexandre Pires nos alertou sobre o desamparo daqueles que, sem a ‘proteção’ estatal, se vêem jogados aos sabores do mercado. Seguindo a linha dos que interpretam as musicas do Chico Buarque, concluo que Alexandre nos alertou sobre os efeitos da liberdade econômica em um país com elevada desigualdade. Afinal, todos aprendemos que a economia de mercado concentra a renda, dado que os neoclássicos (peguei este termo emprestado com o Nassif), se preocupam com a eficiência, não com a distribuição.


Minha adolescência intelectual só permitia chegar até essa conclusão, até o professor Roberto Ellery destruir a minha ilusão com este post: Liberdade e Desigualdade, o que dizem os dados?

O fato é que a liberdade econômica faz muito bem para a distribuição. Os exemplos podem ser notados nos países que estabilizaram e abriram suas economias. Ou seja, duas fontes de liberdade, uma vez que a abertura nos joga no meio do capitalismo selvagem internacional, não nos deixando alternativa se não nos qualificar para se enquadrar a produtividade internacional e; a estabilização nos permite planejar o que podemos fazer com o nosso dinheiro.

O artigo de Galor e Zeira (Income distribution and macroeconomics. Review of Economics Studies, v. 60, 1993), por exemplo, nos mostra que esse movimentos causam uma maior concentração de renda no curto prazo, porém, com uma redução expressiva da desigualdade no médio prazo. Trocando em miúdos, as pessoas mais educadas se beneficiam no início, porém, elas servirão como um “farol” para os não educados que buscarão qualificação. (In)Felizmente, o resultado do investimento educacional só é percebido anos depois (uns caras aí mostraram que isso funcionou no caso brasileiro - AQUI).

Pois bem, o post do Roberto me estimulou a afirmar que a redução da desigualdade brasileira, observada nos últimos anos, possui um forte elemento da abertura econômica. O problema é que os analistas oficiais acham (de coração, sério!) que se duas coisas andarem juntas, então uma causa a outra: política social crescente e desigualdade caindo, então…

Em homenagem a eles, clamo: mais créditos para o Fernando Collor e leiam mais a obra do Alexandre Pires:

“Eu andei errado, eu pisei na bola…”

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